expresso.ptLuís Pedro Nunes - 1 ago 10:37

O mundo sem turismo

O mundo sem turismo

Quem imaginou que um Verão sem turistas fosse possível e tão devastador para o Planeta?

Lembro-me do impacto que teve em mim quando em adolescente descobri “O Velho Expresso da Patagónia”, de Paul Theroux. Afinal, para viajar até ao fim do mundo bastava comprar o primeiro bilhete de metro à porta de casa. E depois o de comboio até à próxima cidade. E assim sucessivamente. Theroux saía da suburbia americana e acabava na ponta sul do continente, na Patagónia, sem nunca ter usado outro meio de transporte que não o comboio. E pelo meio capturava as histórias. Hoje é algo mil vezes copiado, mas na descoberta da pós-adolescência foi “revolucionário”. Parecia “fácil” partir. Bastava querer.

Estamos a chegar ao agosto em que não vamos viajar mais longe do que o nosso retângulo. Por esta altura deveriam estar centenas de milhões de pessoas a fazer as malas e a encher os aeroportos. Só chineses seriam 160 milhões. O vírus é antiturista. Por todo o lado aparecem as “alternativas” ao “novo normal”. Um puto de 19 anos, estudante de Harvard, decidiu atravessar os Estados Unidos via Google Street View. Um clique de cada vez. De Brooklyn até Seattle, cruzando todo o Norte do país. Uday Schultz clica aproximadamente uma hora por dia, o que faz com que a viagem vá durar vários meses. Para mais, o seu interesse em estruturas industriais abandonadas e em urbanismo obriga-o a muitos “desvios”, e nem há muitos “pontos mortos”, ou seja, locais não fotografados pelo Google. A viagem está a ser devidamente documentada na sua conta Twitter @LGA_320. Schultz diz que só sente falta do “cheiro a ar”. Não sei o que quer dizer com isso. Sei que eu tinha programado atravessar os EUA lá para a velhice. Não me vão apanhar na Route 66 no Google a fazer 50 milhas todos os dias sentado em casa. Mas o que é que resta?

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.

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