expresso.ptexpresso.pt - 1 ago 17:18

100 anos de Federico Fellini. O homem que queria ser jornalista

100 anos de Federico Fellini. O homem que queria ser jornalista

Cumpre-se, este ano, o centenário de um dos maiores realizadores do século XX que, deveras, nunca sonhou dedicar-se ao cinema. Foi a vida que levou Federico Fellini à arte de filmar. Seis dos seus filmes voltam agora às salas, em cópias restauradas — uma festa!

Toda a gente sabe como o jovem Fellini chegou a Roma, num dia indefinido, mas de bom augúrio, nos primeiros meses de 1939. Fellini tinha 19 anos e vontade de mundo, os horizontes da sua Rimini natal não lhe podiam satisfazer a vontade de ser jornalista - e dos grandes. Transferir-se da pequena cidade adriática para a capital era um ímpeto que não se podia travar e a passagem foi tão importante que o futuro realizador a havia de colocar como um dos episódios centrais de “Roma”; por isso digo que toda a gente sabe como aconteceu. Um jovem esperançoso, um pouco ingénuo, de largo sorriso, desce do comboio no seu fato de linho branco, mala na mão, cruza-se com grandes cartazes de cinema, com a multímoda fauna humana — e mergulha no ventre da grande loba.

Na realidade não foi assim, mas o homem que dizia de si próprio ser um grande mentiroso (e era...) foi deste modo que a contou. Na realidade veio com a mãe, romana de nascimento e com vontade imensa de voltar, e uma irmã, deixando para trás o pai e outro irmão para tratarem de transferir o negócio de grossista de bens alimentares para Roma. Poucos meses volvidos, a mãe tornará para Rimini e Fellini ficará, então, entregue a si próprio. Modo de vida não tem exatamente. Viverá durante uns tempos de expedientes, andará de quarto alugado em quarto alugado, de pensão em pensão, comerá pouco e nem sempre, tentará vender caricaturas dos clientes nos restaurantes e cafés, reportagens em jornais populares. Entretanto consegue ser admitido como colaborador no jornal onde sempre sonhara escrever, o satírico “Marc’Aurelio”, onde começa a publicar. Ao princípio eram apenas tiradas humorísticas para legendar desenhos, depois trabalhos mais longos, logo colunas permanentes, ilustrações, Fellini torna-se notado e escreve muito pois, pago à peça, é uma forma de multiplicar dinheiro que, de resto, gasta sem parcimónia e com pouco controlo como aconteceria durante toda a vida.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.

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