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Quando Otelo sonhava ser o Fidel da Europa

Quando Otelo sonhava ser o Fidel da Europa

No auge da revolução, Otelo Saraiva de Carvalho visitou Cuba e discursou em Santa Clara (o primeiro estrangeiro a fazê-lo. 45 anos depois, o operacional do 25 de Abril fala com entusiasmo dessa viagem e de como foi ‘muito bem recebido’. Mas confessa ao SOL: ‘Não tenho estomâgo para a política’.

Ficou célebre a frase de Otelo Saraiva de Carvalho de que poderia ter sido o Fidel Castro da Europa. «Não tenho estrutura política. Se tivesse mais cultura política, seria o Fidel Castro da Europa». O desabafo foi feito dois meses depois de uma visita histórica a Cuba em que participou nas comemorações da revolução e foi tratado quase como um chefe de Estado. Ao ponto de ter sido convidado para discursar, no dia 26 de julho de 1975, no 22º aniversário do assalto ao Quartel de Moncada perante quase 600 mil pessoas. Um privilégio que o regime cubano não reservava a qualquer um. 
A imprensa portuguesa deu destaque ao acontecimento.

O Diário De Lisboa dedicou toda a página dois ao discurso do comandante do Copcon. Otelo, que levou a mulher e os filhos para Cuba, via na revolução cubana uma inspiração para Portugal. «O movimento do 26 de julho foi um movimento de libertação para Cuba como para Portugal é o Movimento das Forças Armadas. Assim como o movimento do 26 de julho foi a vanguarda do povo trabalhador cubano, também o movimento das Forças Armadas portuguesas está ao lado das classes mais desfavorecidas de Portugal na sua justa luta», disse Otelo, num discurso com cerca de 20 minutos. 

45 anos depois da visita, Otelo Saraiva de Carvalho recorda que foi «muito bem recebido. Tive as maiores atenções e demonstrações de amizade da parte do Fidel Castro. Fui recebido como um chefe de Estado. Raúl Castro foi esperar-me à porta do avião»

A primeira abordagem para a visitita a Cuba foi feita por Annie Silva Pais, filha do ex-diretor da Pide Silva Pais, que se rendeu à revolução e vivia em Cuba. «Ela perguntou-me se eu tinha apreciado a revolução cubana. Eu respondi: ‘imenso’», recorda Otelo.

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