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A água e os bebés

A água e os bebés

Não é segredo nenhum o facto dos bebés e as crianças em geral adorarem brincar com a água.

Os bebés e as crianças pequenas são naturais cientistas exploradores. Um dos seus grandes objectivos é explorar e compreender como o mundo funciona, e não é apenas de forma passiva, eles querem saber a que sabe, a que cheira e que sensações as coisas provocam, daí a brincadeira na água ser excelente para o seu conhecimento do mundo e, com isso, o seu desenvolvimento cerebral.

Já deve ter reparado que tanto nos banhos quentinhos de Inverno como numa piscina fresca ou no mar de Verão, a maioria dos bebés adora brincar na água. É uma mistura de experiências sensoriais pois sentem a água, ouvem os salpicos, vêem as ondas do mar e as bolhinhas na água e às vezes, no meio de um ou outro mergulho, ainda engolem um pirolito. Como bom cientista que é, o seu filho vai gostar de perceber a ciência da água: as suas propriedades, o que flutua e o que se afunda, a noção de causa-efeito, etc.. Na água, vai também conseguir acalmar-se no final de um dia difícil para um ser pequenino num mundo de grandes. Eles aprendem novas palavras e elaboram raciocínios acerca da humidade ou da espuma das bolinhas de sabão.

E você pensava que o momento do banho se resumia apenas a deixar a casa de banho inundada?! Eis o porquê das vantagens para o seu desenvolvimento valerem a pena a confusão causada. Desde logo, para os mais bebés brincar na água é uma incrível experiência sensorial, expondo os bebés a diferentes texturas (escorregadias, viscosas ...), cores e  temperaturas.

Brincar na água desenvolve a motricidade, tanto fina como grossa em todas as faixas etárias. Por exemplo, ao brincar com copinhos deixando a água sair de um para outro, ao esguichar bonecos e ao mexer na água, os mais pequeninos estão a desenvolver habilidades motoras finas e a coordenação olho/mão. Contribui também para o movimento de pinça, o que lhes permitirá segurar um lápis correctamente na escola.

Brincar na água promove também o desenvolvimento da linguagem, com a conversa que se gera à volta da brincadeira e o número de novas palavras que eles podem aprender.

A resolução de problemas, o pensamento crítico e o criativo não ficam de foram e são estimulados quando, por exemplo, em momentos estratégicos durante a brincadeira com a água, os pais fazem perguntas intencionais para ampliar o pensamento das crianças, expandir a sua memória e usar a evidência para apoiar as suas hipóteses, incentivando-os a usar a imaginação, que desempenha um papel fundamental na resolução de problemas. Este tipo de brincadeiras cria as bases para a compreensão de vários conceitos científicos. Sabia que na água podemos desenvolver conceitos básicos de matemática? Por exemplo, cheio, vazio, mais, menos, conseguimos medir, comparar volumes e até conceitos de biologia se a brincadeira for ao ar livre e conseguirmos comparar a vida animal com a vegetal. Fantástico, não é?

Além disso, brincar na água desempenha também um importante incentivo de crescimento socioemocional, uma vez que com a água conseguimos ter o melhor de dois mundos — actividades excitantes e estimulantes mas também actividades que promovem o relaxamento e a regulação emocional.

Assim, brincar na água e com a água aumenta a capacidade concentração numa actividade quando apresentada como tranquila e repetitiva (escavar, derramar e passar as mãos na água). O mexer suavemente na água contribui para que as crianças ordenem os seus pensamentos e consigam, assim, relaxar. Por exemplo, o banho melhora o sono, ao reduzir efectivamente os níveis de cortisol do bebé, ajudando-o a relaxar e a preparar-se para uma boa noite de sono.

Quando a brincadeira envolve outros, as competências sociais de cooperação e tomada de vez saem favorecidas.

Em casa, numa área com sombra, no jardim, na varanda ou mesmo dentro de casa aproveite o tempo com os seus filhos em brincadeiras na água. O seus cérebros agradecem.

Não hesite em levar para água opções interessantes como baldes, barcos ou dinossauros, recipientes, peneiras e garrafas vazias. E, acima de tudo, divirta-se a construir a cérebro do seu bebé!

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