expresso.ptPedro Mexia - 1 ago 09:36

Os holandeses

Os holandeses

Aos portugueses que queiram matizar ou aprofundar as suas desavenças com a Holanda talvez interesse um clássico estrangeiro, de que há tradução portuguesa: “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” (1905), de Max Weber

Os portugueses dizem mal dos espanhóis, porque são nossos vizinhos, dos alemães, porque são alemães, antigamente dos ingleses e agora parece que também, dos franceses porque são arrogantes, há uns anos dissemos mal dos gregos para não nos confundirem com eles, e agora dizemos mal dos holandeses, os mais frugais de um grupo de autodenominados países “frugais”, mandatados para serem severos com os gastadores meridionais. Sou um eurocéptico que considera intransponíveis certos obstáculos a uma União Europeia federalista, e que o mais natural desses obstáculos é o facto de nos sentirmos portugueses, alemães ou gregos, antes de, ou em de vez, nos sentirmos europeus; no entanto, o que me chamou a atenção agora não foi o dilema europeu mas a retórica anti-holandeses.

A visão portuguesa dos Países Baixos tem como extremos históricos o “Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as da Holanda”, de Vieira, que castiga os hereges daquele “alagado inferno” com quem andávamos em guerra em terras brasileiras, e “A Holanda”, de Ramalho Ortigão, panegírico à civilização e ao progressismo dos neerlandeses, antecedente dos êxtases sociais-democratas da minha infância. E tem, a meio caminho, “Com os Holandeses”, de Rentes de Carvalho, que elogiou a organização, a parcimónia e a honestidade dos seus semicompatriotas, e aborreceu o consensualismo, a avareza, a hipocrisia. Mas aos portugueses que queiram matizar ou aprofundar as suas desavenças com a Holanda talvez interesse um clássico estrangeiro, de que há tradução portuguesa: “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” (1905), de Max Weber.

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