expresso.ptexpresso.pt - 1 ago 09:00

Eleições nos EUA. “Se o resultado for renhido, prevejo o caos”

Eleições nos EUA. “Se o resultado for renhido, prevejo o caos”

Entrevista a Lawrence Douglas, professor de Direito na Universidade de Amherst, no estado do Massachusetts (EUA) e autor de um livro sobre a hipótese de Donald Trump perder as eleições de 3 de novembro e não reconhecer o resultado das mesmas. Saiba como a crise pode levar à Casa Branca, no limite, a speaker da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi

Em caso de derrota nas presidenciais, o chefe de Estado americano, Donald Trump, poderá não aceitar o resultado. O próprio reconheceu-o em entrevistas, algo expectável para quem frequenta os círculos de poder em Washington. Uma dessas pessoas é Lawrence Douglas — ex-conselheiro jurídico de Administrações republicanas e democratas e professor de Direito na Universidade de Amherst —, que há cerca de dois meses publicou “Will He Go? Trump and the Looming Election Meltdown in 2020” (“Será que ele sai? Trump e o Iminente Descalabro Eleitoral em 2020”, livro sem edição portuguesa que explora esse cenário). O receio não se prende com a possibilidade de o multimilionário se barricar na Casa Banca, mas com a instabilidade que se viveria entre o dia das eleições (3 de novembro) e a tomada de posse (20 de janeiro). “O país mergulharia numa crise muito grave”, considera Douglas, que, partindo do que a Constituição americana define, detalha como “as fragilidades do sistema eleitoral” se tornariam evidentes. Dada a imprevisibilidade do desfecho, até Nancy Pelosi, speaker do Congresso, poderia assumir poderes presidenciais. “Em 1876 aconteceu o mesmo. O país ficou em cacos.”

Como será possível Trump recusar-se a sair da Casa Branca mesmo que falhe a reeleição?

Temos de distinguir dois aspetos: assumir a derrota e submeter-se à derrota. É provável que Trump não a assuma, que não reconheça legitimidade à eventual vitória do rival [Joe Biden, do Partido Democrata]. Ao longo da vida, sempre reagiu assim. Se perder por larga margem talvez tenha dificuldade em adotar esse estilo, mas, para tal, será necessária uma vitória esmagadora de Biden no Colégio Eleitoral, com triunfos nos principais swing states [estados decisivos onde o voto oscila entre republicanos e democratas].

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.

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