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Cimpor fornece 135 mil toneladas de cimento à maior obra ferroviária

Cimpor fornece 135 mil toneladas de cimento à maior obra ferroviária

O grupo detido pelos turcos Oyak conquistou as três construtoras que ganharam os concursos para a execução da linha entre Évora e Elvas.

A Cimpor garantiu uma presença de peso na empreitada de construção daquela que será a maior extensão de caminho-de-ferro construída desde há mais de um século em Portugal. São 135 mil toneladas de cimento que a empresa prevê fornecer para a execução de uma obra de 80 quilómetros que ligará Évora à Linha de Leste, junto a Elvas, num investimento de 500 milhões que deverá estar concluído no início de 2023.

O cimento será utilizado na construção da plataforma ferroviária e de estações técnicas em passagens inferiores e superiores e em várias outras obras, como pontes e viadutos ferroviários. “O nosso cimento vai permitir construir cinco estações técnicas e mais de 100 obras especiais”, revela Luís Fernandes, CEO da Cimpor Portugal e Cabo Verde.

O grupo, detido pelos turcos Oyak, conquistou todos os três empreiteiros que ganharam os concursos públicos internacionais para a construção dos troços ferroviários inseridos no designado Corredor Internacional Sul. Como adianta Luís Fernandes, os clientes são a Construtora São José, a Mota-Engil e a Sacyr-Somague. Para a São José, a participada do grupo Ibera está a fornecer betão pronto. Já para as outras duas construtoras é fornecido cimento proveniente da fábrica de Alhandra. “Quer isto dizer que toda esta importante obra ferroviária, estruturante para o país e para o futuro da economia nacional, terá cimento português da Cimpor”, sublinha o gestor.

O impacto desta empreitada, cuja primeira fase arrancou em 2019, no volume de negócios da Cimpor será sentido já neste exercício e nos dois posteriores. Contudo, Luís Fernandes não revela qual será o peso na faturação, justificando que “vai depender da evolução do consumo no mercado interno em geral e este, nesta altura, vai depender da continuidade ou não do investimento, essencialmente privado, que se vinha a verificar”.

Na sua opinião, as notícias são animadoras para o setor, “mas terão de materializar-se”. Como refere, “o Plano de Recuperação apresentado por António Costa Silva e os fundos da União Europeia poderão ter impacto no consumo; no entanto, prevê-se que esse efeito só se verificará a partir da segunda metade de 2021”.

Bom ambiente

No ano passado, a Cimpor registou um volume de negócios superior a 290 milhões de euros, valor que integra os negócios em Portugal do cimento, betão pronto, agregados, argamassas e sacos de papel. A empresa exporta para a Europa, África Ocidental e América Latina. Desde 2016, e fruto do crescimento do setor da construção, que o peso das vendas no mercado interno tem aumentado, diz Luís Fernandes, embora não quantifique.

Para já, a pandemia não atingiu a atividade da empresa no mercado interno. Mas o mesmo não se pode dizer das exportações. Como revela o gestor, “a pandemia da covid-19 afetou naturalmente os mercados” para onde habitualmente a empresa exporta. “O que teve, até agora, consequências negativas” para as suas vendas ao exterior”. Em jeito de compensação, tem-se verificado um aumento do consumo de cimento no país, especialmente no setor saco. Isso deve-se ao facto de o setor da construção ter continuado sempre ativo, mesmo no período do confinamento, e de haver muitas pequenas obras privadas, justifica.

A Cimpor, que foi adquirida em 2018 pelos turcos da Oyak (operação formalizada já em 2019, após luz verde da Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia), está a preparar um conjunto de “investimentos estratégicos” para garantir a sustentabilidade da empresa e uma resposta aos desafios ambientais, nomeadamente à redução das emissões de CO2. Segundo Luís Fernandes, é um objetivo em que a empresa está “fortemente” empenhada, “tendo em conta, não só os compromissos com o Acordo de Paris, mas também as exigências resultantes do Green Deal”.

Como frisa, “uma indústria como a do cimento tem de estar constantemente a investir, com o objetivo de aumentar as eficiências ambientais e operacionais”. O projeto de investimento será revelado em breve.

Em Portugal, a Cimpor tem três fábricas de cimento (Souselas, Alhandra e Loulé) e moagens de cimento em Sines e nos Açores. Nas atividades de betão pronto e agregados, tem várias centrais e pedreiras distribuídas por todo o país. O grupo emprega 900 pessoas.

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