expresso.ptDaniel Oliveira - 31 jul 08:37

Um debate desapaixonado sobre a partidarização do Estado

Um debate desapaixonado sobre a partidarização do Estado

Não podemos querer um Estado autónomo do poder político onde os funcionários públicos podem ser despedidos ou uma governação eficaz que seja amputada da capacidade de escolher os que têm de depender da sua confiança. É no equilíbrio difícil entre autonomia do aparelho de Estado e capacidade de comando político que está a resposta contra a partidarização do Estado

Notícias recentes sobre lugares garantidos a quadros do PS e da JS levaram alguns políticos de outros partidos a voltar à tese de que o polvo socialista é pior do que os restantes. As guerrilhas partidárias sobre este tema são geralmente estéreis. E este debate serve de pouco se não distinguirmos entre a nomeação de pessoal político para os gabinetes ministeriais, de confiança e transitórios, e para o aparelho do Estado, que devia ser autónomo do poder político. Os segundos casos são os únicos que me interessam – o ministro leva para o seu gabinete aqueles em quem confia. Poderíamos ficar por histórias inacreditáveis como o que levou o governo a escolher o segundo classificado num concurso, que vinha do gabinete da ministra, para o cargo de procurador europeu (voltarei a isto um dia destes). Mas prefiro contribuir para um debate menos circunstancial.

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