www.sabado.ptleitores@sabado.cofina.pt (Sábado) - 1 jul 09:16

E se ficarmos sem Enfermeiros?

E se ficarmos sem Enfermeiros?

No início da pandemia, a guerra entre Países foi pelos equipamentos de protecção individual. Na segunda vaga vai ser por enfermeiros. - Opinião , Sábado.

O ano lectivo está a terminar. Os estágios estão a chegar ao fim. Até Setembro, cerca de 3000 novos Enfermeiros deixarão as escolas para entrar no mercado de trabalho. Resta saber qual. A Ordem tem recebido vários pedidos internacionais de recrutamento de Enfermeiros portugueses. Holanda, Alemanha e Espanha estão na linha da frente, à espera de contratar o profissionalismo e a excelência que caracteriza os Enfermeiros formados em Portugal.

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Para quem não entendeu, eu tento ser ainda mais clara: os países europeus estão de rede estendida sobre os novos Enfermeiros portugueses. Querem levá-los, pagam-lhes o triplo do que recebem em Portugal, prometem-lhes uma carreira, formação e segurança. Tudo aquilo que que por cá, mesmo depois de tudo o que vivemos, o nosso Estado teima em não ser capaz de garantir.

O problema não é de hoje. Nos últimos quatro anos não me cansei de avisar. Temos cerca de 20 mil enfermeiros emigrados numa altura em que precisamos deles como nunca. Todos os dias chegam-nos pedidos de hospitais portugueses. Não há mais. As nossas bolsas de recrutamento estão esgotadas. O desemprego de Enfermeiros está próximo de zero neste momento. As necessidades crescem de dia para dia e a concorrência é cada vez mais forte.

Portugal parece que tem pouco para oferecer aos Enfermeiros portugueses para além de aplausos, palavras bonitas e palmadas nas costas. Corrijo. Oferecemos salários de menos de 1000 líquidos, quatro meses de contrato e um vazio, uma incógnita em relação à carreira, que é como quem diz, ao futuro.

Em contrapartida, os nossos parceiros europeus já perceberam o valor dos nossos profissionais e parecem dispostos a tudo para lhes prometerem uma vida profissional reconhecida e digna. A Ordem dos Enfermeiros tudo fará para ajudar a manter os jovens profissionais portugueses junto das suas famílias, em nome de Portugal, numa altura em que a OMS alerta para a violência de uma segunda vaga. A verdade é que não nos podemos substituir, nem ao Governo, nem à Assembleia da República, nas decisões urgentes que já deviam ter sido tomadas.

No início da pandemia, a guerra entre Países foi pelos equipamentos de protecção individual. Na segunda vaga vai ser por enfermeiros.

Chegou a hora da verdade. Fica o alerta.

Texto escrito segundo o antigo acordo ortográfico

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