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“Uma casa para deixar envelhecer” na Arrifana

“Uma casa para deixar envelhecer” na Arrifana

É uma casa de betão, envolvida por madeira, e feita para "potenciar a relação com a natureza". Inspirado pelos espigueiros e pela envolvência rural, o projecto do arquitecto Pedro Henrique é uma casa que envelhece com o tempo.

É na Arrifana, num cenário rural, que se situa a Casa CG: uma casa de betão, em linhas rectas, abraçada por portadas de madeira. O trabalho de arquitectura é assinado pelo arquitecto Pedro Henrique, que descreve o projecto como "uma casa para deixar envelhecer".

A vila da Arrifana, em Santa Maria da Feira, foi a base da visão de Pedro Henrique. "A inspiração foi a própria envolvência", afirma ao P3. "Havia por lá umas construções muito ligadas à agricultura e nós fizemos uma pequena reinterpretação do que seria uma construção mais campestre. Inspirámo-nos no espigueiro, por exemplo", explica. Desde as portadas de madeira, "que levam a uma envolvente mais livre e aberta", ao próprio betão, "uma matéria mais rude", os dois elementos fazem da obra uma ligação pura com o espaço exterior.

A Casa CG, nomeada com as iniciais dos apelidos dos clientes que encomendaram o projecto, é "uma casa para deixar envelhecer": "O betão não requer manutenção e as madeiras vão escurecendo naturalmente, sem qualquer tratamento". O arquitecto Pedro Henrique assume ainda que, por vezes, é difícil transmitir aos clientes a necessidade de deixar as obras seguirem o seu percurso natural. "Os clientes têm muito a questão de que tudo tem de estar demasiado limpinho e tratado. Às vezes é preciso procurar pela simplicidade", explica. 

A relação entre o projecto de interiores e o exterior da casa cria também um contraste "entre o contemporâneo e o ambiente rural". Cinco anos depois do início da obra, a Casa CG está completa e o objectivo foi concluído: "potenciar a relação com a natureza" e evocar "a simplicidade e sobriedade que caracterizam a envolvente". 

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