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TAP está mais forte mas só deu lucro num ano em dez

TAP está mais forte mas só deu lucro num ano em dez

Mais trabalhadores, mais voos, melhores aviões, mais liquidez. O retrato da companhia ganha cor com a privatização. Prejuízos reduziram-se em um terço

Mais forte, mais sólida e a chegar mais longe, mas ainda com grandes prejuízos. Em cinco anos de gestão privada, a TAP quase duplicou o número de passageiros, multiplicou frequências e destinos (com particular relevo para os EUA), somou dois mil ao total de colaboradores, renovou toda a frota – com os aviões de longo curso a passar de uma idade média superior a 12 anos para menos de quatro. E ainda subiu o volume de negócios em 35%, mais que triplicou a liquidez e reduziu o peso da dívida com garantia do Estado em 70%, negociando maturidades de pagamento mais estendidas no tempo.

Os cinco anos de gestão privada mudaram a TAP para melhor. Mas as dores de crescimento existem e as feridas antigas mantêm-se. Incluindo os resultados negativos, que a companhia não consegue ultrapassar, ainda que os tenha reduzido em um terço, desde a entrada dos privados (foram -156 milhões em 2015).

Fruto do investimento e estratégia prosseguidas pelo acionista que assumiu a gestão em 2015, a TAP tem hoje um maior peso – que multiplica a sua importância no contexto económico nacional, com efeitos no turismo (com um peso de cerca de 2% no que este setor representa no PIB), nos impostos pagos ao Estado (24 milhões de euros) e no emprego (são mais de 10 mil trabalhadores, a que se somam os postos indiretos).

A paz social foi outra conquista desta gestão, com o consórcio privado a garantir aumentos salariais em cinco anos e progressões nas carreiras que vinham a ficar congeladas dado o estado da companhia e do país.

Mas é a TAP sustentável? Ainda não. Mesmo antes da covid, fatores como o ambicioso investimento feito por exemplo na compra de 30 aviões NEO, as limitações do aeroporto de Lisboa e o aumento brutal no preço dos combustíveis condicionaram as contas da TAP, que fechou 2019 com 105 milhões de prejuízo, tendo neste primeiro trimestre somado já perto de 400 milhões negativos (leia mais aqui).

Acontece que, na última década, público ou privado, o grupo sempre deu prejuízo, exceto em 2017, quando conseguiu ficar no verde.

O futuro? Nas contas do trimestre, apresentadas ontem à noite, a TAP avisa que está a reajustar a dimensão, estando já confirmada “a redução líquida da frota, incluindo a saída confirmada de seis aviões que terminam contrato em 2020” e o estudo de “saídas adicionais” de aviões, no âmbito da revisão do plano de rotas.

Ainda que o ministro Pedro Nuno Santos garanta que na reestruturação que a TAP terá de fazer no âmbito da ajuda que receberá, os despedimentos “não são inevitáveis”, com menos voos e o turismo congelado, a transportadora deverá reduzir pessoal, à semelhança de grandes grupos como Air France (7500 trabalhadores), Lufthansa (22 mil) e British (12 mil). Hoje, a TAP tem 90% dos trabalhadores em lay-off.

Empresa arranca ano com prejuízos de 395 milhões
A TAP atribui os prejuízos de 395 milhões de euros do primeiro trimestre a “eventos relacionados com a pandemia”, nomeadamente, com o risco de cobertura do “jet fuel” e com diferenças de câmbio.

Só em março, a companhia refere ter registado uma diminuição do número de passageiros na ordem dos 54,7%, face a igual mês do ano passado.

Ainda em março, os rendimentos operacionais caíram 47,7% para 106,3 milhões de euros, e as receitas nas passagens tiveram uma queda de 46,9% para 90,3 milhões.

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