expresso.ptexpresso.pt - 30 jun 17:55

Partidos pedem “plano de negócio” e “programa estratégico” para a TAP

Partidos pedem “plano de negócio” e “programa estratégico” para a TAP

PSD, Chega e PAN consideram que o Estado não deve injetar €1200 milhões na TAP sem um plano de negócio. Iniciativa Liberal diz que a nacionalização será um “péssimo negócio para os portugueses”. Já o Bloco admite essa solução, mas pede um “programa estratégico” para a companhia que defenda o interesse público do país

O Estado coloca dinheiro na TAP mas nem uma auditoria "é efetuada”, nem há “um plano de recuperação” ou um plano de negócio, disse esta terça-feira o deputado Carlos Silva, do PSD, durante a Comissão de Orçamento e Finanças, defendendo que deve ser feito “esse estudo que justifique o encaixe financeiro”. No mesmo sentido foi o deputado do Chega, André Ventura, que afirmou que não se percebe como se pode injetar os 1200 milhões de euros sem um plano de negócio. “Podemos dar um passo que não sabemos onde vai dar, mas vai custar aos contribuintes”, disse.

Também João Cotrim Figueiredo defendeu, a propósito das propostas dos partidos para a TAP no Orçamento Suplementar, que o resultado será que "vamos ser obrigados a envolver dinheiro público numa situação qualquer para a TAP. Não sabemos o que vai acontecer à frota, às rotas, prevê-se uma utilização esbanjadora do dinheiro público", disse.

André Silva considerou igualmente que é necessário saber o "real impacto" que esta operação vai ter nas contas públicas no médio e longo prazo, sugerindo uma avaliação independente por parte da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) e do Conselho das Finanças Públicas. "Mais uma vez, apelo à necessidade de se perceber bem o que aqui está em causa para que depois a TAP não se transforme num buraco sem fundo ou, pior, se venha dizer que não se sabia o que estava realmente em causa", declarou o deputado.

PAN quer evitar “um calote ao estilo do Novo Banco”

De acordo com o deputado do PAN, esta operação, que vai condicionar "grandemente" a sustentabilidade das contas públicas, terá que ser aprovada pelo Parlamento, tendo conhecimento dos respetivos termos, a fim de evitar os "erros do passado" e dar luz verde a "um calote ao estilo do Novo Banco".

O deputado do PAN defendeu ainda que a intervenção na TAP deve exigir certas contrapartidas, como a garantia de um melhor serviço público, atendendo à "sustentabilidade ambiental", "gestão empresarial rigorosa" e uma "reestruturação financeira séria" da companhia.

Bloco quer “programa estratégico” para a TAP

Já antes, Catarina Martins defendeu que a privatização da TAP foi um "enorme erro" e que se for necessário injetar capital, a companhia aérea deve ser nacionalizada. "Porque não podemos estar a injetar dinheiro para premiar acionistas privados que têm estado nos últimos anos a destruir verdadeiramente a TAP", afirmou a líder bloquista em declarações aos jornalistas em Viana do Castelo.

Para a coordenadora do BE, tal operação exige contudo um "programa estratégico", que defenda o interesse público do país, uma vez que só assim os portugueses conseguirão compreender que o seu "esforço coletivo está a ser usado para salvaguardar a TAP."

Catarina Martins considerou ainda que o Governo não pode adiar mais decisões em relação à TAP, sublinhando que enquanto o processo relativo à companhia se arrasta, os acionistas privados continuam a tomar decisões, nomeadamente sobre o "despedimento de trabalhadores" e sobre a venda de partes da empresa que são "muito preocupantes".

Nacionalização será um “péssimo negócio para os portugueses”

Também o líder da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, considerou que a nacionalização da TAP será um "péssimo negócio para os portugueses" e resultará da "intransigência" dos acionistas privados, mas também da "incompetência" do Governo a gerir o processo. "Hoje estamos perante uma situação que é grave porque os contratos que renacionalizaram a TAP preveem direitos para os acionistas privados e eles recusaram qualquer outra solução que não lhes garantisse essa dita cláusula secreta dos 220 milhões de euros", declarou Cotrim de Figueiredo aos jornalistas na Assembleia da República.

Para o presidente da IL, perante a cláusula que foi renegociada pelo atual Executivo, a única alternativa para a TAP acaba por a ser a intervenção direta do Estado na companhia, o que terá consequências para o país.

"Nós sempre nos opusemos à nacionalização, porque é um péssimo negócio para os portugueses, especialmente num contexto em que há tantas dificuldades e tantas necessidades. Mas se tiver que acontecer por ausência de alternativa, provocada por este próprio Governo, então uma coisa teria que ser absolutamente fundamental, é que o momento de entrada do Estado correspondesse a um compromisso de saída do Estado", sustentou.

Cotrim de Figueiredo sublinhou que o Governo terá que definir bem a estratégia para a TAP e o plano de saída da companhia, num contexto adverso em que o sector enfrentará nos próximos dois ou três anos "enormes dificuldades". "Sem um plano de saída e saber como se vai gerir e atrair os investidores, pode ser um novo problema para os portugueses. E nós somos fanáticos na defesa do dinheiro dos contribuintes", reforçou.

Duras críticas a Pedro Nuno Santos

O líder dos liberais teceu ainda duras críticas ao ministro das Infraestruturas e das Obras Públicas, Pedro Nuno Santos, frisando que não tem a capacidade de gerir este dossier, que se "exalta com grande facilidade", assim como "não tem uma visão clara" sobre o futuro da TAP.

Tal como o Expresso avançou esta terça-feira, o Governo vai avançar com a nacionalização da TAP, após o Estado e os acionistas privados não terem chegado a acordo sobre o empréstimo de 1,2 mil milhões de euros.

Pedro Nuno Santos defendeu esta terça-feira no Parlamento que seria um "desastre do ponto de vista económico e social" perder a TAP e que a companhia é "demasiado importante" para o país. O governante considerou ainda que o Executivo "não quer uma TAPzinha", mais sim uma companhia com "maior viabilidade" e alertou que se os acionistas privados continuarem a não aceitar a proposta do Governo, o Estado avançará para uma intervenção mais assertiva. "Não vamos deixar cair a empresa, nem ceder ao privado", garantiu.

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