expresso.ptexpresso.pt - 30 jun 19:03

Netflix desloca 100 milhões de dólares para bancos que apoiam comunidades negras nos EUA

Netflix desloca 100 milhões de dólares para bancos que apoiam comunidades negras nos EUA

Plataforma de streaming vai destinar 2% dos recursos a bancos e instituições financeiras que trabalham diretamente com comunidades negras norte-americanas, como o Hope Credit Union. Decisão faz parte de um plano “pela igualdade racial”

Um plano na mão e 100 milhões no bolso: a Netflix, gigante do streaming, diz-se comprometida com “a igualdade racial” e anunciou esta terça-feira que o plano para lá chegar começa com a transferência de 2% das reservas financeiras da empresa, cerca de 100 milhões de dólares, para bancos e instituições financeiras que apoiam comunidades negras nos Estados Unidos da América. Com mais dinheiro em caixa, essas instituições ganham capacidade de emprestar às famílias e alavancar negócios criados ou geridos por pessoas negras.

“Acreditamos que trazer mais capital para essas comunidades pode fazer uma diferença significativa para as pessoas e para as empresas, ajudando mais famílias a comprar a sua primeira casa ou a economizar para a faculdade, e mais pequenas empresas a começar ou a crescer”, lê-se no comunicado emitido esta terça-feira e assinado em conjunto por Aaron Mitchell e Shannon Alwyn, respetivamente responsável por aquisição de talento e diretor financeiro da empresa. “Os bancos que são propriedade ou [que são] liderados por negros representam apenas um por cento dos ativos bancários da América. E esse é um fator que contribui para que 19% das famílias negras possuam riqueza negativa ou nenhum património”, reforçam os diretores da Netflix.

Na mesma mensagem, a empresa explica como se desdobra o compromisso. Dos 100 milhões de dólares destinados ao plano, serão primeiramente usados 35 milhões, divididos em duas tranches: 25 milhões vão ser transferidos para um fundo recém-criado, chamado Black Economic Development Initiative (Iniciativa de Desenvolvimento Económico Negro) e gerido por uma organização sem fins lucrativos com “histórico” no apoio a estas comunidades, a Local Initiatives Support Corporation (LISC).

Quanto aos restantes 10 milhões de dólares, recebe-os o banco Hope Credit Union, “na forma de um ‘Depósito Transformacional’ para alimentar oportunidades económicas em comunidades carenciadas do sul profundo”. A HOPE é mais do que um banco — inclui também uma empresa de empreendedorismo e um instituto político — e garante ter concedido, desde 1994, “mais de 2,5 mil milhões de dólares em financiamento que beneficiou mais de 1,5 milhões de pessoas no Alabama, Arkansas, Louisiana, Mississippi e Tennessee”. É em Jackson, Mississippi, que a HOPE tem sede e é no sul dos EUA que trabalha para fazer funcionar o elevador social norte-americano.

Os responsáveis aproveitaram para deixar dois conselhos de séries originais da Netflix para ver e entender o que significa “racismo sistémico” — “Racial Wealth Gap”, um dos episódios da série Explained, e “13TH”, da realizadora Ava DuVernay.

E ainda uma ideia: “Se todas as empresas do S&P 500 [índice das 500 maiores empresas norte-americanas cotadas em bolsa] destinassem uma quantia modesta das suas reservas em esforços como a Black Economic Development Initiative, cada um por cento do seu dinheiro representaria entre 20 a 30 mil milhões de dólares em novos capitais. E isso ajudaria a construir comunidades mais fortes, oferecendo novos caminhos às famílias negras para a prosperidade e para um futuro mais justo.”

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