expresso.ptexpresso.pt - 30 jun 17:28

Peso das renováveis no consumo final de energia cai pelo terceiro ano consecutivo

Peso das renováveis no consumo final de energia cai pelo terceiro ano consecutivo

O ano de 2019 teve um nível historicamente baixo de consumo de carvão na produção de eletricidade mas o país consumiu mais produtos petrolíferos. O balanço é que a incorporação de renováveis no consumo final de energia em Portugal voltou a baixar

Apesar dos sinais positivos que Portugal tem revelado no âmbito da descarbonização do sector energético, o peso das fontes renováveis no consumo final de energia no país teve em 2019 o terceiro ano consecutivo de queda, revela o mais recente balanço energético anual da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).

Em 2019 o país teve uma incorporação de fontes de energia renováveis de 30,1%, segundo a estimativa avançada pela DGEG, sujeita a correções com fontes ainda não contabilizadas (a margem de erro da estimativa é inferior a meio ponto percentual). Um indicador que fica ligeiramente abaixo dos 30,3% de incorporação de 2018, que também tinha sido um ano de recuo face aos 30,6% de 2017 e face aos 30,9% de 2016.

Com efeito, 2016 foi o último ano em que Portugal aumentou a incorporação de renováveis no consumo final de energia (que abrange as várias formas de consumo de energia pelo cliente final, desde eletricidade a produtos petrolíferos, passando pelo gás natural, entre outras formas de consumo).

Portugal está ainda acima da trajetória indicativa para cumprimento dos compromissos internacionais em matéria de incorporação de fontes limpas, mas essa folga é cada vez mais estreita.

A trajetória indicativa previa que Portugal tivesse em 2019 uma incorporação mínima de 29,2% de renováveis, sendo o objetivo para 2020 fixado em 31%, ou seja, forçosamente acima do nível com que o país fechou 2019.

O terceiro ano consecutivo de recuo na incorporação de fontes renováveis resulta principalmente do aumento da procura de produtos petrolíferos, já que o consumo final de energia elétrica (a área onde a incorporação de renováveis é mais elevada) teve um ligeiro recuo.

Paradoxalmente, Portugal alcançou em 2019 um recorde na produção de eletricidade sem carvão, comprovando a capacidade do sistema elétrico de depender essencialmente de fontes limpas, complementadas por centrais de ciclo combinado a gás natural.

Segundo a DGEG, em 2019, o consumo de carvão como energia primária (ou seja, como fonte para a geração de outro tipo de energia, como a eletricidade) afundou-se 54%. Mas essa queda foi insuficiente para "limpar" o consumo de energia final em Portugal, pois o consumo de produtos petrolíferos teve um aumento mais significativo (e aí a incorporação de biocombustíveis é bem menor, em torno dos 7%).

Dependência energética baixa para 75,1%

Mas 2019 trouxe também um outro indicador positivo para Portugal: a dependência energética do exterior baixou de 75,9% em 2018 para 75,1% em 2019. Foi o segundo ano seguido de redução, depois do pico de 77,7% do ano 2017.

Esta descida da dependência energética, explica a DGEG, foi resultado, sobretudo, da acentuada queda na importação de carvão para a produção de eletricidade.

O objetivo do Plano Nacional de Energia Clima (PNEC) é que a dependência energética de Portugal baixe para 65% até 2030, o que deverá ser conseguido, entre outros contributos, com uma maior percentagem de fontes renováveis (sobretudo energia solar) na produção de eletricidade.

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