expresso.ptexpresso.pt - 30 jun 21:11

União Europeia quer investigar a China sobre esterilizações forçadas para controlar a natalidade de minorias étnicas

União Europeia quer investigar a China sobre esterilizações forçadas para controlar a natalidade de minorias étnicas

Já foi pedido a Pequim que se autorize o acesso de uma missão de observadores europeus a Xinjiang, que concentra a comunidade uigur, onde alegadamente a China está a forçar as mulheres a esterilizações. "Se comprovadas, são práticas terríveis e graves violações dos direitos humanos", frisa a UE

A União Europeia (UE) pediu esta terça-feira a Pequim que autorize o acesso de uma missão de observadores à região de Xinjiang, no noroeste da China, depois de o país ter sido acusado de sujeitar a "práticas terríveis" membros da minoria étnica uigur.

Num relatório publicado na segunda-feira, um investigador alemão, Adrian Zenz, denunciou que as mulheres da etnia uigur estão alegadamente a ser submetidas a esterilizações forçadas, com o objetivo de reduzir e controlar no país a natalidade desta população de minorias étnicas.

Predominantemente muçulmanos, os uigures (bem como os cazaques) são distintos do grupo étnico maioritário do país, os chineses han, e constituem uma grande parte da população em Xinjiang, uma vasta região chinesa que faz fronteira com o Afeganistão e o Paquistão.

Adrian Zenz é um investigador alemão que já escreveu outros relatórios sobre as políticas adotadas pelo regime de Pequim nesta região de maioria muçulmana.

Mais de um milhão de muçulmanos retidos em campos

"Se comprovadas, tais práticas terríveis constituiriam graves violações dos direitos humanos", afirmou Virginie Battu-Henriksson, porta-voz do chefe da diplomacia europeia (Josep Borrell), numa conferência de imprensa.

Tais práticas "devem parar imediatamente e os responsáveis devem ser responsabilizados", acrescentou a representante. Nas declarações aos jornalistas, Virginie Battu-Henriksson lançou um apelo às autoridades de Pequim.

"Reiteramos o nosso pedido à China para permitir um acesso e um ambiente propício às visitas de observadores independentes, com vista a uma avaliação independente, objetiva, imparcial e transparente destas questões que são fonte de uma grande preocupação", referiu a porta-voz.

"As esterilizações em massa constituem um genocídio de acordo com um conjunto de textos", indicou a representante, realçando, porém, que a denúncia em questão consta num relatório e que existe a necessidade de confirmar as informações disponibilizadas nesse mesmo documento.

Os uigures, que são maioritariamente muçulmanos e falam na sua grande maioria uma língua relacionada com o turco, são um dos 56 grupos étnicos que existem no território chinês.

Esta etnia representa um pouco menos de metade dos 25 milhões de pessoas que vivem na região de Xinjiang, um vasto território semidesértico no noroeste da China há muito atingido por ataques violentos, que Pequim atribui a elementos separatistas e islamitas.

A China tem sido acusada de concentrar minorias étnicas chinesas de origem muçulmana em campos de doutrinação e reeducação no extremo noroeste do território chinês. As denúncias apontam para pelo menos um milhão de muçulmanos retidos nestes campos de reeducação política.

Pequim tem sempre rejeitado este alegado plano de "genocídio cultural" de minorias muçulmanas na China, alegando que estas instalações são centros de formação profissional, destinadas a ajudar a população a encontrar trabalho e a mantê-la afastada do extremismo e do terrorismo.

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