www.jornaldenegocios.ptCarlos Bastardo - 30 jun 19:45

Situação da banca portuguesa no primeiro trimestre de 2020

Situação da banca portuguesa no primeiro trimestre de 2020

Para além de ter obtido resultados líquidos negativos no primeiro trimestre e de estes terem piorado mais de 90% face ao valor do período homólogo de 2019, o Novo Banco apresenta outros indicadores que comparam mal com os seus concorrentes. - Opinião , Jornal de Negócios.

Numa crise económica como a que atravessamos é fundamental que a banca esteja em boas condições para auxiliar empresas e famílias.

Após a crise financeira, os bancos nacionais desalavancaram (desinvestiram) significativamente desde então e apresentam hoje rácios de transformação que nada têm a ver com os excessos de 2007 e 2008.

No final do primeiro trimestre de 2020, os bancos nacionais apresentavam rácios de transformação entre 71% (CGD) e 101% (BPI) muito abaixo dos valores de há 12/13 anos (125% a 150%).

Para a economia poder evoluir, os bancos têm de estar em boas condições económicas e financeiras. Os bancos são quem financia a economia (setor público e setor privado) e quanto melhor estiverem, menor será o seu custo do risco e melhores serão as condições de financiamento às empresas e às famílias.

Fazendo uma análise aos indicadores do primeiro trimestre de 2020 dos maiores bancos, verifica-se que genericamente estavam com bons indicadores, exceção feita ao Novo Banco (adiante designado NB) que demonstra ainda bastantes dificuldades.

Para além de ter obtido resultados líquidos negativos no primeiro trimestre e de estes terem piorado mais de 90% face ao valor do período homólogo de 2019, o NB apresenta outros indicadores que comparam mal com os seus concorrentes.

Apesar de os resultados da atividade conhecidos serem do primeiro trimestre e, portanto, abrangendo apenas o mês de março no enquadramento covid19, o esforço de provisionamento já se fez sentir e afetou os resultados líquidos do período.

O rácio de NPL (Non Performing Loans) do NB de 11,1% é muito superior por exemplo a bancos como o BPI (2,3%), Santander (3,3% embora seja um dado de dezembro de 2019) ou CGD (4,5%).

Logicamente que esta situação se traduz num elevado custo do risco no NB face aos restantes bancos seus concorrentes.

Ao nível da efici��ncia, o indicador “cost to income” que compara os custos e os proveitos operacionais, o do NB também é de longe o pior, 99,5%. O mesmo indicador no BCP, CGD, BPI e Santander foi de 49%, 49%, 60% e 46% (este dado de dezembro de 2019).

Este rácio perto dos 100% tem forçosamente de ser muito melhorado. Se o NB está em processo de reestruturação, este rácio “cost to income” já deveria estar significativamente mais baixo do que está. O banco tem custos a mais e proveitos a menos.

Ao nível do capital, o banco com melhor estrutura é a CGD com um rácio CET1 de 16,6% e uma solvibilidade total de 19,2% em março de 2020. O BPI tinha um CET1 de 13,7% e uma solvibilidade total de 16,9%, o BCP 12% e 15,4% respetivamente e o NB 12,3% e 13,8% respetivamente. O Santander tinha em dezembro de 2019 um CET1 de 13,6%.

A atual crise poderá ter maior ou menor impacto nas contas dos bancos consoante o grau de rapidez da recuperação económica. O prolongamento até março de 2021 das moratórias do crédito poderá, caso a economia recupere nos próximos meses, limitar bastante o impacto ao nível do crédito vencido.

Contudo, só em março de 2021 é que poderemos ter uma visão clara desse impacto. Até lá, os bancos obrigam-se a monitorizar a evolução da atividade económica e a situação financeira dos seus clientes, podendo ou não ter de reforçar provisões para o crédito vencido.

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