www.publico.ptpublico@publico.pt - 29 jun 00:20

Precisamos de mais Europa no campo da saúde

Precisamos de mais Europa no campo da saúde

Se a pandemia de covid-19 nos mostrou alguma coisa, foi que chegou a altura de mudarmos radicalmente a forma como encaramos a saúde e como nela investimos.

Todos os dias, ao longo dos últimos meses, milhares de manchetes destacaram os números mais recentes sobre o coronavírus. Estes números aumentaram a um ritmo tal que ninguém pode questionar a gravidade da situação. Embora os números tenham a sua própria forma de contar uma história, nunca devemos esquecer que por detrás de cada número está uma pessoa, com a sua própria história. Nunca esqueceremos o medo, a ansiedade, a dor e a tristeza que os cidadãos europeus sentiram nestes últimos meses – as nossas crianças, os nossos idosos, os nossos profissionais de saúde, família, amigos, vizinhos. Não houve ninguém que não tivesse sido afetado pela crise do coronavírus.

A covid-19 desafiou-nos a todos a nível mundial como nenhuma outra crise de saúde pública na nossa história recente. Em menos de seis meses, este vírus demonstrou claramente o impacto que a saúde tem nas nossas vidas, nas nossas economias, nas nossas sociedades – em quase todas as facetas da nossa vida quotidiana. Embora estejamos ainda no meio de uma pandemia, começamos lentamente a levantar a cabeça e a olhar para a frente – para a nova normalidade diante de nós.

Mas com os desafios, mesmo os mais difíceis, surgem as oportunidades. Como sempre fez no passado, a Europa retirará desta crise os ensinamentos devidos. Se uma situação destas voltasse a acontecer, não poderíamos repetir os mesmos erros – temos de estar mais bem preparados. Nunca mais queremos ver os nossos profissionais de saúde a ter de escolher quais os doentes que receberão o equipamento que lhes vai salvar a vida. Não queremos voltar a ver os Estados-membros a encerrar as fronteiras e a impedir que outros tenham acesso a medicamentos ou equipamentos de proteção essenciais. Não queremos ver regiões ou países sobrecarregados e incapazes de prestar os cuidados adequados a todas as pessoas que deles precisam, havendo, do outro lado da fronteira, camas de hospital vazias. Os nossos cidadãos esperam mais da Europa – e com razão. Este é um apelo que temos ouvido alto e bom som.

A nossa resposta é o novo programa EU4Health (Programa UE pela Saúde), que abre um novo capítulo na política de saúde da UE. Com o EU4Health, garantiremos uma melhor preparação no futuro para proteger os europeus em caso de crises de saúde e melhorar os cuidados prestados aos cidadãos europeus. Este é o programa de saúde mais ambicioso que a UE alguma vez teve, com um aumento de 2000% dos recursos financeiros e uma ambição clara de tornar a saúde uma das principais prioridades da UE.

Esta é a UE que mostra ambição e audácia e olha para além da covid-19. O valor de 9,4 mil milhões de euros fala por si.  

A solidariedade permite salvar vidas. A saúde é, e continuará a ser, da competência dos Estados-membros. Mas os nossos cidadãos querem que a UE desempenhe um papel de liderança. E assim será

Pela primeira vez, a UE poderá constituir reservas de material médico e mobilizar profissionais de saúde — incluindo os chamados “médicos voadores” — que podem ser destacados em tempos de crise para onde esses recursos são mais necessários. Com o EU4Health, pretendemos ter à disposição, em permanência, o equipamento de proteção, os medicamentos e os dispositivos médicos necessários e garantir que sejam inovadores e tenham preços acessíveis.

Embora a covid-19 nos tenha ensinado que a Europa precisa de dar mais prioridade à saúde e ser capaz de responder melhor às epidemias e às ameaças imprevistas para a saúde, este novo programa não é apenas uma resposta à pandemia. O EU4Health ajudará também a concretizar o plano europeu de luta contra o cancro e uma nova e ambiciosa estratégia no domínio farmacêutico para a Europa, a fim de garantir medicamentos a preços acessíveis para todos, melhorar as condições para os doentes com doenças raras e para as pessoas com problemas de saúde mental e enfrentar os desafios associados à vacinação e à resistência aos agentes antimicrobianos.

Esta pandemia demonstrou que quando uma crise sanitária nos bate à porta, o individualismo vai contra os nossos próprios interesses. A solidariedade permite salvar vidas. A saúde é, e continuará a ser, da competência dos Estados-membros. Mas os nossos cidadãos querem que a UE desempenhe um papel de liderança. E assim será.

A autora escreve segundo o novo acordo ortográfico

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