expresso.ptexpresso.pt - 23 mai 22:12

BE leva a Costa plano para reconverter trabalhadores do turismo para a área social

BE leva a Costa plano para reconverter trabalhadores do turismo para a área social

Bloquistas querem aproveitar reuniões com o Governo para apresentar um plano estrutural que retire peso ao turismo na economia. Milhares de trabalhadores receberiam formação para apoiar idosos ou dependentes

O Bloco de Esquerda vai apostar num plano que não é exatamente de emergência, mas sim de longo prazo, para levar à ronda de reuniões que o primeiro-ministro marcou com os partidos para a próxima segunda e terça-feira. A ideia dos encontros é delinear o Plano de Estabilização Económico e Social, que estará integrado no orçamento suplementar a apresentar em junho.

Constatando a quebra verificada no turismo e a natureza precária de grande parte dos contratos, a ideia dos bloquistas passa por construir um plano de reconversão de empregos nessa área, para que estes profissionais passem a dedicar-se ao sector social. Até porque o partido já tinha avisado que a pandemia poderia trazer uma oportunidade para corrigir o que diz ser um erro nas bases da economia portuguesa: o excessivo peso atribuído ao turismo, um setor potencialmente volátil e com flutuações de procura.

“É uma estratégia para a reconversão produtiva e profissional de sectores que já perderam muitos postos de trabalho, que podem não ser recuperáveis e não queremos que o sejam no mesmo paradigma”, explica ao Expresso o deputado José Soeiro.

Ou seja, a ideia é que estes trabalhadores recebam formação para prestar cuidados a idosos, dependentes, deficientes, etc., em várias áreas — podem ser de saúde, higiene, distribuição de comida ou até acesso à cultura —, e assinem contratos estáveis para essas funções, de forma a não se voltar a formar a “mancha de trabalho muito precarizada” que existe atualmente no turismo.

O plano teria potencial para abranger “milhares” de trabalhadores e, calcula o partido, poderia servir ainda para reconverter equipamentos e imóveis desocupados, disponíveis fazer essa passagem para a “economia de cuidados” que o BE quer construir.

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