www.dinheirovivo.ptCarlos Brito - 23 mai 09:29

Como ganhar dinheiro com a casa no pós-covid

Como ganhar dinheiro com a casa no pós-covid

Os que mais rapidamente se adaptarem serão os que irão sobreviver e prosperar. Os que continuarem a sonhar com o regresso ao passado estão condenados

Caro leitor, se aquilo que pretende é que eu lhe dê umas dicas sobre como vender bem a sua casa ou ganhar dinheiro com o imobiliário então esqueça este artigo. Mas se quiser estar alerta em relação a bons negócios, então talvez valha a pena continuar a ler sem sair de casa – porque tudo vai girar em torno do lar.

Já todos percebemos que o novo normal vai ser muito diferente do velho normal. Será assim na sociedade em geral – e será também assim no mundo dos negócios em particular. Nos mercados de consumo as alterações irão resumir-se a três tendências: mais digital, mais individualização do consumo e menos dinheiro.

Do lado dos mercados B2B tudo vai depender da reconfiguração dos modelos de negócio decorrentes das alterações que se vierem a registar nas cadeias de abastecimento e de valor. Mas também tudo indica que se resumam a três grandes ajustamentos: menos globalização, menos concentração de fornecimentos (o que levará a uma menor dependência da China enquanto “fábrica do mundo”) e menos capital – ou seja, também menos dinheiro.

Neste contexto, pode afirmar-se que, do ponto de vista económico, em média vamos perder nos tempos mais próximos. O que não quer dizer que não haja áreas de negócio que venham a ganhar protagonismo e um novo impulso.

Tudo o que tem a ver com o digital vai ter (já está a ter!) um fortíssimo incremento. Não será apenas a comunicação online e mobile a par do comércio eletrónico que verão uma expansão da atividade. Todos os serviços relacionados com marketing analytics, desde a utilização de big data até à inteligência artificial, irão aumentar de forma exponencial.

Uma outra área relacionada com o digital refere-se ao teletrabalho. Com o desconfinamento muitos voltarão aos seus locais de trabalho habitual, mas nada será como dantes. Empregadores e empregados verão que o home office é, em muitos casos, bem mais vantajoso, mesmo que em regime parcial. O que abre a porta a toda uma multiplicidade de serviços de suporte a esta nova realidade.

Em terceiro lugar, tudo o que tem a ver com o home entertainment irá também conhecer uma forte expansão. A começar nos serviços de streaming e a acabar em jogos imersivos assentes em realidade virtual, passando por atividades culturais e “turísticas” potenciadas por realidade aumentada.

A casa vai ser não só cada vez mais um sítio de trabalho e de lazer, mas também de aprendizagem com base numa crescente oferta formativa através de e-learning, quer no âmbito de cursos conferentes de grau académico (designadamente em regime blended) quer no contexto da formação contínua ao longo da vida.

Ficam aqui estas referências a algumas áreas de negócios, mas muitas outras haverá, desde os serviços de saúde e bem-estar até à logística residencial. Não vou dizer uma palavra sobre os variados setores que vão cair pois já estamos fartos de más expectativas económicas. Mas uma coisa é certa: os que mais rapidamente se adaptarem serão os que irão sobreviver e prosperar. Os que continuarem a sonhar com o regresso ao passado estão condenados.

Caro leitor, só tem de decidir de que lado quer estar… com uma pequena dica: a enorme importância do lar enquanto espaço físico e relacional para viver, trabalhar, estudar e divertir. Agora só tem de pensar nos negócios…

Carlos Brito, vice-reitor da Universidade Portucalense

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