expresso.ptexpresso.pt - 23 mai 22:39

50-30: a fórmula para ajudar a conter a pandemia de covid-19

50-30: a fórmula para ajudar a conter a pandemia de covid-19

Uma equipa internacional de investigadores propõe um confinamento de 50 dias seguido de 30 dias de relaxamento das medidas restritivas. A proposta tem em conta não apenas a contenção das infeções e mortes, mas também o alívio dos impactos económicos do combate ao novo coronavírus

Um confinamento de 50 dias seguido de 30 dias de relaxamento. É esta a proposta de uma equipa internacional de investigadores para os países combaterem a pandemia de covid-19 e reduzirem os seus impactos económicos. “Esta combinação de um estrito distanciamento social com um período relativamente relaxado pode permitir que as populações e as suas economias nacionais respirem em intervalos”, sugeriu Rajiv Chowdhury, epidemiologista da Universidade de Cambridge e principal autor do estudo.

Publicado esta semana no “European Journal of Epidemiology” e citado pelo site de notícias científicas Live Science, o estudo foi conduzido por um grupo que analisa estratégias globais no combate ao novo coronavírus. A abordagem cíclica sugerida apresenta “um potencial que poderá tornar esta solução mais sustentável, especialmente nas regiões com poucos recursos”, acrescenta Chowdhury.

O distanciamento social tornou-se a regra no controlo da pandemia, mas manter medidas restritivas durante vários meses pode significar uma devastação económica. A grande mais-valia que tem sido destacada na proposta agora apresentada é a possibilidade de atenuar os impactos económicos. Os investigadores usaram um modelo matemático para simular surtos de covid-19 em 16 países, combinando países de altos, médios e baixos rendimentos. Em seguida, estudaram vários cenários de alternância entre o alívio das restrições e a sua reintrodução.

Os autores do estudo consideraram dois tipos de restrições: as “medidas de mitigação”, incluindo o encerramento de escolas e restrições em eventos públicos, e as “medidas de supressão”, que incluem regras mais rigorosas como o confinamento.

A diferença entre 7,8 e 3,5 milhões de mortos (ou 130 mil)

Na ausência de quaisquer restrições, o número de infetados a precisar de cuidados intensivos ultrapassaria rapidamente as capacidades hospitalares de todos os países analisados e resultaria em 7,8 milhões de mortes. Em contraste, com a aplicação do ciclo sugerido, as vítimas mortais seriam reduzidas para 3,5 milhões nos 16 países, concluíram os investigadores.

Além disso, neste segundo cenário, o indicador R0 (o número médio de pessoas contagiadas a partir de um único infetado) reduziria de 2,2 para 0,8. Em regra, o R0 precisa de se situar abaixo de 1 de forma a reduzir a transmissão da doença. Ainda assim, no mesmo cenário, o número de pacientes a necessitar de cuidados intensivos ultrapassaria as capacidades de resposta hospitalar em todos os países ao fim de cerca de três meses, e a pandemia duraria à volta de um ano.

Uma estratégia que passe pela aplicação da fórmula apresentada poderá mesmo levar o R0 a cair para 0,5 e as mortes para pouco mais de 130 mil, sem que a capacidade hospitalar seja ultrapassada. No entanto, neste caso, a pandemia prolongar-se-ia por um ano e meio, uma vez que menos pessoas seriam infetadas e, por conseguinte, menos pessoas poderiam desenvolver imunidade ao vírus.

Em suma, “um número significativo de novas infeções e mortes poderá ser evitado se estas medidas rotativas puderem ser mantidas durante um período de 18 meses” ou até uma vacina ser disponibilizada, defendem os investigadores.

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