expresso.ptJoão Vieira Pereira - 23 mai 08:48

A racionalidade do medo

A racionalidade do medo

Se em dois meses o mundo mudou, aquela simbiose entre Costa e Marcelo saiu reforçada exatamente porque o mundo mudou. Os próximos tempos serão de decisões difíceis, muitas impopulares e com pouca adesão à esquerda, o que reforça a necessidade da articulação de discursos e objetivos entre os dois. António Costa tem uma imagem do que o espera e sabe que com Marcelo do seu lado será infinitamente mais fácil

É difícil entender a recente agitação em torno das próximas presidenciais. Não consigo perceber qual é o interesse de umas eleições onde a única incógnita é o tamanho da vitória de Marcelo Rebelo de Sousa. Até o tímido apoio de António Costa é algo de pouco surpreendente. Tirando um ou dois episódios, como as críticas à forma como o Executivo respondeu aos incêndios de Pedrógão ou, mais recentemente, as divergências na convocação do estado de emergência — em ambas tinha do seu lado a razão —, Marcelo tem sido o amigo perfeito para aquilo que foi o agradável passeio no parque de que o Governo desfrutou nos últimos anos. A cumplicidade entre Belém e São Bento esteve longe de ser crucial para o sucesso político da ‘geringonça’, mas foi essencial para a imagem de estabilidade que Portugal tão bem vendeu nos últimos anos.

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