expresso.ptComendador Marques de Correia - 23 mai 10:00

Ó camaradas assim se vê a força do PC... e o cumprimento da pandémica distância social

Ó camaradas assim se vê a força do PC... e o cumprimento da pandémica distância social

O que leva o mais velho (perdão, antigo) partido português a fazer um comício? As inteligentes e judiciosas instruções que lhe dei!

Comecemos pelo óbvio: a pandemia e as vicissitudes que ela trouxe não suspenderam a democracia. É uma coisa que o primeiro-ministro tem dito e o Presidente da República também. Por isso, ninguém há de calar a voz da classe operária, já não sendo tão certo que a voz da classe operária, até por influências do bagaço, do mau vinho e da necessidade de trabalhar com esforço, não cale as fracas vozes da classe não operária, habituada ao cochicho dos gabinetes. As elites, como sabeis, são mais dadas a jogos florentinos do que a manifestações de força, daquelas que juntam multidões pela avenida abaixo e assaltam o Palácio de Inverno ou outro qualquer que esteja à mão e que, no nosso caso, seria o de São Bento ou o de Belém (eu começaria por São Bento, porque quando o movimento chegasse a Belém desfazia-se em selfies).

Por isso convidei o camarada Jerónimo de Sousa para um almoço, no qual entre comida alentejana, copos de tinto alentejano e café alentejano congeminámos como havíamos de fazer ouvir a voz do PCP em todo o país. Jerónimo disse que havia a hipótese do velho comício, mas que tinha dois problemas com isso: o primeiro, é que um comício é uma coisa muito vista, já do passado; o segundo, e mais importante, é que não conseguiam encher salas ou recintos grandes, mas cada vez mais pequenos, alguns até ridiculamente pequenos. E isso devia-se a duas razões (o meu amigo Jerónimo, ao contrário do meu amigo Marques Mendes, nunca tem três razões, bastam-lhe duas): a primeira razão tem a ver com a falta de atratividade do PCP, sobretudo desde que as carinhas larocas do Bloco de Esquerda apareceram e desde que o PAN se armou em PEV; a segunda é porque a média de idades dos apoiantes e militantes do partido é cada vez maior e a artrose, o reumático e a gota já não aconselham a deslocações, mesmo quando se conseguem camionetas.

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