expresso.ptexpresso.pt - 23 mai 20:20

Carlos Costa e os seus 10 anos no BdP: "Tenho um perfil que não é tão simpático. É a vida”

Carlos Costa e os seus 10 anos no BdP: "Tenho um perfil que não é tão simpático. É a vida”

A pouco mais de um mês de deixar o Banco de Portugal (a data limite estabelecida pelo próprio é 9 de julho), Carlos Costa faz o balanço de dez anos como governador. Começou com uma crise global, a das dívidas soberanas, e chega ao fim em plena pandemia da covid-19. Reconhece que houve momentos difíceis, mas garante que vai partir de consciência tranquila

Carlos Costa é um governador acossado. Os dez anos que liderou o Banco de Portugal foram tudo menos um passeio no parque. Poucas semanas depois de tomar posse, em 2010, a Grécia ficou sem financiamento. Foi o início da crise das dívidas soberanas. Enfrentou um resgate para evitar a bancarrota de Portugal. A crise alastrou-se à banca, houve injeções de capital com dinheiros públicos, testes, dúvidas, falências e reestruturações. O Banco Espírito Santo desmoronou-se como um castelo de cartas e foi objeto de uma resolução tão inédita quanto polémica. Neste período, o governador foi alvo da fúria de banqueiros, dos que foram e dos que ficaram. Teve vários choques com governos e alguns políticos. Principalmente desde que António Costa assumiu o poder, um primeiro-ministro que nunca o teria nomeado e que colocou nas Finanças Mário Centeno e Ricardo Mourinho Félix, dois homens do Banco de Portugal com relações no mínimo tensas com Carlos Costa. A poucos meses de deixar a liderança enfrenta agora a pior crise de sempre.

Tem a sensação de que a sua imagem vai estar sempre colada a estes aspetos mais negativos?

A minha imagem vai estar associada à resposta aos desafios, que foram enormes. A resposta à grande crise financeira, à crise da dívida soberana, à perda de acesso aos mercados por parte da República. Depois foram os factos relacionados com a resolução de dois bancos — o BES e o Banif — e de seguida a venda do Novo Banco, que resultou dessa resolução. E agora, no final do mandato, a crise resultante da pandemia covid-19 e que tem grandes implicações para a economia. E como o sistema bancário é o reflexo da economia, vai ter também grandes implicações para os bancos, se não soubermos tomar as medidas que são necessárias.

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