expresso.ptexpresso.pt - 23 mai 08:37

Estudo conclui que medicamento usado por Trump aumenta o risco de morte

Estudo conclui que medicamento usado por Trump aumenta o risco de morte

Considerada segura para o tratamento da malária, a hidroxicloroquina não o é quando administrada a pacientes com covid-19, dizem os autores da pesquisa publicada pela Lancet. O fármaco ( e a sua versão mais antiga) não deve mesmo ser usado, a não ser em contextos específicos de pesquisa clínica, defendem

Um novo estudo revela que o uso da hidroxicloroquina – o medicamento que Donald Trump disse estar a tomar para prevenir a covid-19 -, aumentou o número de mortes entre os pacientes que com ela foram tratados em hospitais de todo o mundo.

O trabalho, publicado online pela “Lancet” que tem em conta também a versão mais antiga do fármaco, a cloroquina, revela um quadro preocupante. De tal forma que os investigadores defendem que o medicamento deve deixar de ser administrado a doentes com covid-19, exceto em contextos específicos de pesquisa cínica.

Usada sem que tivessem sido realizados ensaios clínicos prévios, o medicamento pode provocar problemas cardíacos, mas muitos especialistas consideravam-no seguro, dado ser usado desde há muito no tratamento da malária.

Não será seguro em relação à covid-19. Os autores do artigo analisaram os dados de mais de 96.000 pacientes em 671 hospitais, tratados com um dos medicamentos, entre 20 de dezembro e 14 de abril, e concluiram que a taxa de mortalidade entre todos os grupos que tomaram os medicamentos foi superior à registada entre as pessoas que não os receberam. Um em cada seis daqueles que tomavam uma das drogas morreu, enquanto um em cada cinco morreu se tomava cloroquina com um antibiótico e um em cada quatro se tomava hidroxicloroquina e um antibiótico. A taxa de mortalidade entre os pacientes que não tomaram os medicamentos foi de um em 11, conforme detalha o “The Guardian”.

Os autores sublinham não estar em causa um estudo, dado existirem entre os pacientes diferenças etárias, de género, estado geral e fase da doença, mas acreditam que – se assim fosse – seria ainda maior a taxa de mortalidade verificada entre os que tomavam os medicamentos.

"Este é o primeiro estudo em larga escala a revelar evidências estatisticamente robustas de que o tratamento com cloroquina ou hidroxicloroquina não beneficia pacientes com covid-19", disse o norte-americano Mandeep R. Mehra, principal autor do trabalho. Pelo contrário, “os dados apurados sugerem que estes fármacos podem estar associados a um risco aumentado de problemas cardíacos graves e mesmo ao aumento do risco de morte”, acrescentou.

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