www.publico.ptpublico.pt - 23 mai 13:28

Mais 13 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas. Recuperados serão contados de forma diferente

Mais 13 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas. Recuperados serão contados de forma diferente

Desde o início do surto, foram contabilizados 30471 infectados e morreram 1302 pessoas. Já foram dadas como curadas 7705 pessoas. Governo anunciou neste sábado uma nova estratégia para abordar os casos de recuperação.

Treze mortes por covid-19 nas últimas 24 horas, mais uma do que na sexta-feira. É este o registo da mais recente actualização do estado da pandemia em Portugal, que esclarece que nove dos treze óbitos foram em Lisboa e Vale do Tejo - região que tem tido vários focos de infecção localizados.

Este valor evidencia uma relativa estabilidade no panorama epidemiológico, com Portugal a registar valores de mortes semelhantes nos últimos dias, segundo dados do boletim da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Nota, ainda, para o facto de o número de mortes ter sido corrigido - de 16 para 13 -, depois de os serviços de saúde terem identificado outras patologias como causa da morte de três pessoas anteriormente contabilizadas. O número total de mortes chegou às 1302.

Nos casos confirmados, os valores mantêm-se, também eles, estáveis. Neste sábado, contam-se 271 novas infecções, mais 15 do que na actualização anterior - um aumento de 0,9%. O número de casos activos no país fica, neste sábado, nos 21.464.

Em matéria de internamentos regista-se 550 pessoas – 80 em cuidados intensivos –, um valor salutar: são menos 26 do que no último registo.

Contagem de recuperados será alterada

Há ainda mais 115 pessoas recuperadas da doença, numa medição feita com base em um teste negativo (em caso de isolamento domiciliário) ou dois (nos casos de internamento hospitalar). Neste âmbito, há uma diferença considerável para a última actualização, que tinha registado mais 1138 pessoas recuperadas em 24 horas. Os próximos dias também terão grandes diferenças, mas pela positiva.

Marta Temido, ministra da Saúde, anunciou que aos actuais 7705 casos recuperados somar-se-ão, amanhã, mais 9652 casos de pessoas cujos testes deram negativo para a covid-19, depois de terem sido contagiadas pelo novo coronavírus. A responsável de Saúde explicou que este aumento corresponde a uma mudança de metodologia no registo de dados no trace-covid, o sistema de vigilância clínica concebido para apoiar as equipas de saúde no acompanhamento e monitorização dos doentes.

“Para garantir que nenhum destes 9652 utentes era um caso já ‘extraído’, isto é, um dos 7705 casos recuperados que constam do boletim diário, e prevenir eventuais duplicações, procedeu-se a um cruzamento do número de utente, garantindo que a informação é fiável”, precisou a ministra, na habitual conferência de imprensa diária, garantindo tratarem-se de casos com pelo menos um resultado laboratorial negativo.

Lisboa e Vale do Tejo é região problemática

Numa análise detalhada aos óbitos, 1132 das 1302 vítimas mortais estão acima dos 70 anos - cerca de 87%. O relatório dá conta da morte de 115 pessoas entre os 60 e 69 anos, 39 com idades entre os 50 e 59 anos, 15 entre os 40 e os 49 anos e uma vítima mortal entre os 20 e os 29 anos.

Lisboa é o concelho com mais casos detectados (2146), seguido de Vila Nova de Gaia (1551) e do Porto (1347). Há outros quatro concelhos com mais de mil casos identificados: Matosinhos, Braga, Gondomar e Sintra. Sobre este tema, Marta Temido considerou que os focos localizados em Lisboa não se devem às medidas de desconfinamento, mas a “relaxamento nas pausas” do trabalho.

“Provavelmente, são pessoas que nunca deixaram de ir trabalhar. O que se passa é que, no cumprimento de medidas de distanciamento e higiene, poderão não estar a ser tidas todas as cautelas. E pode haver contextos específicos de habitabilidade e deslocação para o trabalho. E é sobre estas condições de vida que estamos a procurar incidir [para identificar causas]”, explicou.

Noutro âmbito, questionado sobre o PÚBLICO sobre a testagem no escalão pré-escolar, o Governo diz que o cenário não está equacionado. “O tipo de contacto dos profissionais no pré-escolar não é o mesmo do que com as crianças de mais tenra idade. O que admitimos é que o tipo de risco é diferente e a utilidade dos testes também é diferente”, disparou Marta Temido, acrescentando que é algo que depende da evolução da situação epidemiológica local.

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