expresso.ptexpresso.pt - 23 mai 12:18

Cenários extremos afastados... para já

Cenários extremos afastados... para já

Acionistas privados dizem que todos têm de “contribuir com soluções construtivas e que gerem o maior consenso possível”

O Governo, pela voz do ministro das Infraestruturas, voltou esta semana a colocar pressão alta sobre os acionistas privados da TAP — os empresários David Neeleman e Humberto Pedrosa, que juntos têm 45% da transportadora aérea. Pedro Nuno Santos foi ao Parlamento na terça-feira reafirmar que todos os cenários estão em cima da mesa, acrescentando-lhe o de uma insolvência. E levantou o véu sobre o que o Governo pretende com a ajuda que está a preparar à empresa, na qual o Estado tem 50% — participação na gestão, mais capital, redefinição do plano estratégico, controlo de caixa.

Nesta fase, o grupo de trabalho nomeado pelo Governo para encontrar o modelo de apoio do Estado — que inclui o ex-presidente do grupo Águas de Portugal, João Nuno Mendes, assim como a consultora Deloitte e a sociedade de advogados Vieira de Almeida — está a analisar a informação enviada pela TAP. As conversas estão a decorrer de forma tranquila, apurou o Expresso de fontes ligadas às negociações. Mas nem o Governo nem os acionistas privados se querem pronunciar sobre o estado das mesmas. Contactados pelo Expresso, David Neeleman e Humberto Pedrosa enviaram uma resposta conjunta em que afirmam: “Não queremos fazer comentários sobre conversas que estão a decorrer”, mas “dizer apenas que a TAP é muito importante para Portugal e todos temos de contribuir com soluções construtivas e que gerem o maior consenso possível, de forma a podermos voltar ao trabalho que estava a ser feito”.

Ambos defendem que “a TAP é hoje uma empresa completamente diferente do que era quando foi privatizada e merece ser ajudada a ultrapassar esta crise de que não há memória, aliás como outras companhias aéreas europeias têm sido. Nem mais nem menos”.

Estes acionistas, sabe o Expresso, têm-se mostrado abertos para aceitar as condições do Estado na expectativa de que a TAP tenha o mesmo tratamento que as outras companhias aéreas, pelo que os cenários ‘extremos’ assumidos pelo Governo estão para já afastados. Neeleman mantém firme a defesa de um plano onde haja apenas financiamento com garantia de Estado. Pedro Nuno Santos sublinhou repetidamente que nenhum dos cenários poderá ser excluído. Porque, garante, o Estado não vai ficar refém dos privados.

Silêncio em São Bento

Após as declarações do ministro, em São Bento impera o silêncio. O primeiro-ministro foi apanhado desprevenido com o que o ministro tinha acabado de assegurar no Parlamento. Mas logo depois afirmou não conhecer o conteúdo do que havia sido dito por Pedro Nuno Santos, recusando comentar se a insolvência da TAP era mesmo uma possibilidade. No Governo, ninguém quer falar sobre mais um aparente desacerto de tom. O ministro foi mais longe do que tinha sido defendido por António Costa, referindo-se a um cenário que aconteceria caso os acionistas privados não cheguem a acordo com o Estado. Algo que o primeiro-ministro ainda não tinha feito, mencionando sempre, em todas as intervenções, os cenários em que pode haver algum acordo.

O ministro sublinhou no Parlamento que as ajudas do Estado virão com condições. “Temos de ter o controlo do dinheiro que for injetado. Não vamos fazer nenhuma intervenção sem que sejam definidas novas regras de controlo”, assegurou, apontando os casos em que o Estado terá maior controlo: caixa, frota e rotas. “O controlo tem de acontecer desde já, mesmo que isso não se reflita de imediato na estrutura societária”, avisou. E explicou que um dos primeiros passos nas negociações é saber se os acionistas privados estão disponíveis para acompanhar a intervenção do Estado na TAP. Uma pergunta que o governante sublinhou continuar sem saber qual é a resposta.

Em face da pressão para que se chegue rapidamente a um acordo, disse: “Vamos fazer a intervenção no timing que o Estado entender. Porque quem manda no dinheiro do povo português é o povo português.”

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