expresso.ptLuís Pedro Nunes - 23 mai 10:30

A pandemia de conspirações

A pandemia de conspirações

Bill Gates, 5G, China, guerra biológica, falso vírus, É escolher: a infodemia tem

Estão todos a mentir. Recebi uns vídeos pelo WhatsApp que topam como tudo se passa. Reencaminhei-os a montes de conhecidos e amigos. Só cai quem quer. O coronavírus está a ser espalhado pelas redes de 5G. O vídeo demonstra como onde há mais torres de 5G o vírus se espalhou — não me venham com essa de haver mais gente nessas zonas. Há muitos cientistas a explicar. Só que são calados. Já se sabia que as torres de 5G servem para enfraquecer o sistema imunitário, para o vírus ter mais força... eu vi. De toda a maneira, isto é tudo uma jogada do Bill Gates e da indústria farmacêutica. É óbvio. Querem ganhar milhões de milhões de milhões com a vacina. Vi noutro vídeo como o Gates quer controlar os humanos colocando um chip através desta vacina. E isto da covid nem é pior do que uma gripe. Aliás, por todo o mundo filmaram-se hospitais. Estão vazios. É tudo uma grande mentira. Já repararam como os primeiros-ministros e os presidentes usam todos as mesmas frases, como fantoches? Viram o vídeo da cientista que foi calada pelo deep state? Eu envio. Por WhatsApp, senão apagam. Ninguém me convence de que não foram os chineses a criar isto em laboratório. Já notaram que são eles que estão a lucrar? Tenho um vídeo sobre isso. Está lá tudo explicado. Agora, os jornalistas pagos pelos grandes interesses e pelo George Soros é que não querem que se saiba.

Maio de 2020. Além do coronavírus, o planeta está a viver o que as Nações Unidas já apelidaram de “infodemia” — uma pandemia de teorias da conspiração que encontram no medo, na ansiedade, no desconhecimento sobre o futuro terreno fértil para se espalhar e depois destruir tudo por onde passaram como fogos selvagens. Pequenas conspirações de nicho — que há meses eram gozadas e ignoradas — estão hoje disseminadas e metamorfoseadas pelo mundo, com nuances regionais, muitas delas a serem distribuídas pelo WhatsApp, escapando assim ao escrutínio dos Facebooks e Twitters, que agora estão aparentemente mais interessados em dizer-se preocupados em impedir a disseminação de fake news sobre um problema de saúde pública global.

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