expresso.ptPedro Mexia - 23 mai 10:30

Razão injusta

Razão injusta

O que fez de Fran Lebowitz uma oradora muito solicitada é o gosto de entreter e de provocar, a inteligência como espectáculo

Um dos livros mais interessantes que li este ano intitula-se “De Língua Afiada”, sequência de ensaios biográficos sobre mulheres do espaço público norte-americano conhecidas pela inteligência, coragem, cultura, independência, graça ou insolência, entre as quais Hannah Arendt, Susan Sontag, Joan Didion, Mary McCarthy ou Pauline Kael. Quando comecei a ler o livro, pareceu-me logo que faltava Camille Paglia, a feminista que as feministas abominam. E depois, por causa de um perfil recente na “New Yorker” e de um documentário de Scorsese, “Public Speaking” (2010), que vi esta semana, lembrei-me que também falta Fran Lebowitz.

Lebowitz, nascida em 1950, é uma progressista elitista e áspera, como Sontag. Tem, aliás, toda uma teoria sobre aquilo que a levou a integrar a elite intelectual a que ela chama, sem embaraço algum, uma “aristocracia natural”: é judia, filha única, lésbica e amiga de gays, nova-iorquina adoptiva, não perde tempo com telemóveis ou com a internet, viveu a efervescência dos anos 70 e a boémia nocturna, conviveu com gente mais velha e afirmou-se antes de a celebridade ter substituído o talento como critério. Acrescente-se a isso uma personalidade vincada: Lebowitz diz que gosta de “presumir” e de “julgar”, virtudes que os outros não aceitam como virtudes mas de que ela notoriamente se orgulha.

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