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Financiamento de impacto social já vale 163 milhões no país

Financiamento de impacto social já vale 163 milhões no país

Responsabilidade social das empresas está a mudar: em vez de doações, o investimento é atribuído mediante cumprimento de objetivos de impacto.

Já lá vai o tempo em que a política de responsabilidade social das empresas passava pela doação de dinheiro a associações. Cada vez mais, o investimento é atribuído mediante a avaliação e o cumprimento de certos objetivos. Só em Portugal, este mercado já vale 163 milhões de euros.

“Ainda há a conceção, errada, de uma empresa social só existir para criar impacto social sem ganhar dinheiro isso. Cada vez mais, as startups que temos nesta área têm um modelo de negócio igual ao de uma startup tecnológica. A grande mais-valia destes projetos é que criam dinheiro e valor social”, explica Inês Sequeira, líder da Casa do Impacto, da Santa Casa de Lisboa.

Em Portugal, o investimento em projetos de impacto social tem sido dirigido pelo Portugal Inovação Social (PIS). Este programa de financiamento ao empreendedorismo de impacto conta com contribuições do Fundo Social Europeu e do Orçamento do Estado. Nos últimos cinco anos, foram apoiadas mais de 300 iniciativas graças a quatro mecanismos de financiamento, que dão resposta a diferentes fases do ciclo de vida deste tipo de projetos e que são comparticipados também por fundos privados.

“É uma iniciativa pioneira que mobiliza fundos da UE com o objetivo de incentivar a inovação e o empreendedorismo social e dinamizar o investimento social, promovendo parcerias entre projetos inovadores e investidores públicos ou privados”, assinala Filipe Almeida, presidente do PIS. Os projetos de impacto caracterizam-se por resolver em vez de remediar.

“Esta economia vai à raiz do problema em vez de atirar dinheiro e tentar resolvê-lo. Não andamos sempre a apagar fogos. É como a diferença entre tratar e curar o problema”, descreve Pedro Oliveira, professor que lidera a cátedra de economia de impacto da Fundação Calouste Gulbenkian.

Estes problemas são resolvidos por projetos como o ColorAdd, que criou um código universal de cores para os daltónicos conseguirem ter uma vida mais fácil; o Speak, que tem cursos informais de línguas para ajudar a integrar imigrantes e refugiados; ou o 55+, que põe os desempregados com mais de 55 anos a usarem a experiência para prestar serviços de qualidade e de utilidade para as pessoas.

A lógica de impacto social é contrária à da política de solidariedade, “mero assistencialismo do Estado e da Igreja e que resume-se a doações e ao Banco Alimentar contra a Fome”, salienta Pedro Rocha Vieira, líder da plataforma Beta-i.

Negócio sustentável

Apesar da primeira ajuda, os negócios de impacto social têm de ser capazes de se aguentarem pelo próprio pé. “Temos de tornar estas empresas independentes das doações”, destaca Pedro Rocha Vieira.

Para conseguir atingir esse objetivo, “os empreendedores sociais, têm de encontrar maneiras de gerar rendas, em que o dinheiro aparece sem ser atirado por agências de filantropia. Se só dependerem disso, então não é sustentável. É quase como pensar num projeto típico de empreendedorismo. Um inovador social, no início, vai precisar de dinheiro e até vai dar prejuízo. Depois da curva inicial, segue-se um crescimento exponencial”, explica.

O empurrão para o lançamento deste tipo de negócios pode ser dado por várias instituições. O Banco Montepio, por exemplo, vai apostar 1,35 milhões durante três anos. O fundo de capital de risco Mustard Seed Maze tem 30 milhões e conta com o apoio da Gulbenkian. A plataforma de financiamento colaborativo GoParity faz a ponte entre investidores e projetos que cumprem os objetivos de desenvolvimento de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas.

Nos próximos cinco anos, “tudo vai mudar”, acredita Inês Sequeira. “Os projetos de inovação social vão ser incorporados em políticas públicas. As empresas vão ter uma atitude muito mais participativa e deixarem de ser meros doadores. Vamos ter cada vez mais empreendedores a acrescentarem valor.”

Depois de Portugal ter gerado três unicórnios tecnológicos, por terem uma avaliação acima dos mil milhões de dólares, “poderemos ter uma espécie de unicórnio social”.

Quatro apoios -Capacitação para Investimento

Financia o desenvolvimento de competências de gestão nas equipas que estão envolvidas em projetos de inovação social.

-Parcerias para o Impacto

Portugal Inovação Social contribui com 70% dos apoios para projetos de inovação social; os restantes 30% são de outros investidores.

-Títulos de Impacto Social

Financiam projetos em áreas prioritárias, mediante um modelo de pagamento por resultados com base em objetivos sociais mensuráveis.

-Fundo para a Inovação Social

Facilita acesso a crédito, concedendo garantias bancárias e coinveste diretamente no capital em parceria com privados.

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