expresso.ptexpresso.pt - 23 mai 09:19

Proposta de Merkel e Macron desce juros portugueses

Proposta de Merkel e Macron desce juros portugueses

Mercados gostaram dos €500 mil milhões a fundo perdido e da garantia de Lagarde de que não está “psicologicamente” manietada

A proposta de um Fundo de Recuperação para financiar a fundo perdido a retoma no valor de €500 mil milhões avançada esta semana por Angela Merkel e Emmanuel Macron agradou aos mercados. O passo dado pela chanceler alemã, ao aceitar dívida mutualizada e financiamento dos países necessitados através de subvenções dadas pelos programas da Comissão Europeia, foi a cereja em cima do bolo depois de Christine Lagarde, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), ter reafirmado, antes, em entrevista a quatro jornais europeus que “há risco zero para o euro”.

A francesa repetiu também duas máximas que o seu antecessor, o italiano Mario Draghi, inscreveu a letra de ouro na atuação do BCE: será feito “tudo o que for preciso” e “o euro é irreversível”. Lagarde juntou-lhe, recentemente, depois do ultimato dado pelos juízes do Tribunal Constitucional alemão, uma outra frase-chave, que começou a repetir: o BCE “não se desvia” da sua atuação, ou seja, noutra versão possível da tradução da expressão inglesa usada, é “indiferente” aos bloqueios, passa ao lado dos escolhos que os críticos levantam. E rematou: “Não há obstáculo psicológico à nossa ação.”

O impacto positivo do passo em frente dado por Merkel e a inflexibilidade de Lagarde notou-se nos mercados. Os juros das obrigações portuguesas a 10 anos estiveram em queda toda a semana e desceram para 0,75%, um mínimo desde o final de março. Esta taxa no mercado secundário está já abaixo do juro de 0,852% pago pelo Tesouro no leilão de obrigações a 10 anos realizado na semana passada. A melhoria do ‘sentimento’ dos investidores notou-se, também, com uma descida significativa das taxas pagas no leilão de Bilhetes do Tesouro realizado esta semana (ver pág. 2).

A expectativa mudou-se, agora, para duas novas datas na agenda. Os investidores aguardam a 27 de maio a proposta da Comissão Europeia para o referido Fundo de Recuperação. Markel e Macron dão €500 mil milhões a fundo perdido, mas Mário Centeno, no chapéu de presidente do Eurogrupo, falou em doze zeros (na ordem do bilião). Os outros €500 mil milhões no mínimo virão donde e como, são detalhes que faltam. A outra data no calendário é 4 de junho quando se reúne o Conselho do BCE. Muitos analistas vaticinam que o BCE poderá decidir ampliar o envelope do PEPP, que foi lançado, em março, com um teto de €750 mil milhões. Estimam que o BCE se decida por um reforço em 50% como já fez com a ampliação do PSPP.

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