rr.sapo.ptrr.sapo.pt - 23 mai 01:06

"Não dá para segurar mais". Bolsonaro quer população armada para evitar uma ditadura

"Não dá para segurar mais". Bolsonaro quer população armada para evitar uma ditadura

Enquanto gravações comprometedoras do chefe de Estado brasileiro são divulgadas pelo Supremo Tribunal Federal, o país registou esta sexta-feira mais 1.001 mortos e 20.803 infetados nas últimas 24 horas.

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, disse, num vídeo divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que quer armar a população para evitar a instauração de uma ditadura no Brasil.

“Como é fácil impor uma ditadura no Brasil, como é fácil. O povo está dentro de casa. Por isso eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme”, afirmou Bolsonaro, dirigindo-se a dois dos seus ministros.

Na mesma gravação o chefe de Estado brasileiro quer a garantia de que não vai aparecer alguém no país “para impor uma ditadura”, considerando ser fácil a imposição desse regime, bastando um prefeito fazer um decreto que deixe todas as pessoas “dentro de casa".

"Se tivesse armado, ia para a rua. Se eu fosse ditador, eu desarmava, como fizeram todos no passado, antes de impor a sua respetiva ditadura. Eu peço ao Fernando [Azevedo e Silva, ministro da Defesa] e ao Moro [Sergio Moro, ex-ministro da Justiça] que, por favor, assine essa portaria hoje [22 de abril]”, acrescentou.

Segundo a transcrição do vídeo divulgada pelo STF, Jair Bolsonaro pergunta: “Porque é que eu estou a armar o povo? Porque eu não quero uma ditadura. Não dá para segurar mais".

O STF brasileiro divulgou hoje o vídeo de uma reunião ministerial realizada em abril, no Palácio do Planalto, na capital do país, Brasília, apontada pelo ex-ministro Sergio Moro como prova sobre a alegada interferência do Presidente, Jair Bolsonaro, na polícia.

Na decisão, o juiz do STF Celso de Mello publicou quase na íntegra quer o vídeo, quer a transcrição da reunião. Apenas não permitiu a divulgação das "poucas passagens do vídeo nas quais há referência a determinados Estados estrangeiros".

No vídeo destacam-se palavrões e injúrias por parte de Bolsonaro a ministros e a ameaça do Presidente Jair Bolsonaro de demissão “generalizada” a quem não adotasse a defesa de assuntos defendidos pelo Governo.

Em causa está a conversa gravada numa reunião de ministros, ocorrida na sede da Presidência, em Brasília, em 22 de abril, e que foi citada no depoimento do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil Sergio Moro, que acusa Bolsonaro de alegada interferência na Polícia Federal.

Na reunião, e de acordo com Moro, Bolsonaro teria exigido a troca do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, para evitar uma investigação a familiares e aliados.

Mais de mil mortos e 20.803 infetados nas últimas 24 horas

O Brasil registou 1.001 mortos e 20.803 infetados pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas, totalizando 21.048 óbitos e 330.890 pessoas diagnosticadas desde que a pandemia de covid-19 chegou ao país, informou hoje o executivo.

Com os números de hoje, o Brasil ultrapassou a Rússia e ascendeu à segunda posição na lista de países com o maior número de casos positivos de covid-19, apenas atrás dos Estados Unidos da América (mais de 1,6 milhões de casos de infeção), segundo o portal Worldometer, que compila quase em tempo real informações da Organização Mundial da Saúde, dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças, de fontes oficiais dos países, de publicações científicas e de órgãos de informação.

O Ministério da Saúde indicou que está ainda a ser investigada a eventual relação de 3.552 óbitos com a covid-19, sendo que 135.430 pacientes infetados já recuperaram e 174.412 continuam sob acompanhamento.

São Paulo, epicentro da pandemia no país sul-americano, concentra 5.773 vítimas mortais e 76.871 casos de infeção, sendo seguido pelo Ceará, que contabiliza hoje 2.251 mortos e 34.573 pessoas diagnosticadas.

O Rio de Janeiro é o terceiro estado com maior número de casos confirmados, num total de 33.589 pessoas infetadas e 3.657 óbitos.

Por outro lado, Mato Grosso do Sul, localizado na região centro-oeste do país, é o estado menos afetado, com 17 óbitos e 805 infetados.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 335 mil mortos e infetou mais de 5,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 1,9 milhões de doentes foram considerados curados.

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