blitz.ptblitz.pt - 23 mai 10:44

O amor apesar da morte. O assombroso segundo álbum de Moses Sumney

O amor apesar da morte. O assombroso segundo álbum de Moses Sumney

Moses Sumney canta as múltiplas faces do romance, perturbado pelas garras afiadas da morte, num assombroso segundo álbum

Um dos sinais mais fortes de que um artista tem bem presente aquela inquietação que o leva a agigantar-se na hora de criar é o investimento feito na busca por constantes provocações. Moses Sumney é um desses mestres da autodesconstrução. Percebeu cedo como não deitar a perder as suas conquistas ao buscar trilhos alternativos, que tanto o podem fazer andar em frente, atalhar pelos lados ou regressar ao ponto de partida, como forma de se reinventar. “Aromanticism”, o enigmático e robusto disco de estreia, de 2017, deixou à vista de todos o assombro vocal e o prodígio poético do norte-americano de ascendência ganesa.

A agitação tropical de ‘Quarrel’, a lascívia de ‘Make Out in My Car’ e a sensibilidade epidérmica de ‘Doomed’ foram argumentos suficientes para nos convencermos de que estávamos diante de um criador singular. Uma sensação ampliada, pelo caminho, em colaborações com Solange, James Blake, Bon Iver ou The Cinematic Orchestra. “Græ”, este duplo registo divulgado em dois tomos, é, contudo, uma estirpe totalmente diferente de fera, com encruzilhadas de ideias a assomarem-nos a cada respiração e compasso, a cada palavra que Sumney debita com uma voz que crispa as garras na nossa atenção e não a deixa desviar-se.

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