expresso.ptexpresso.pt - 22 mai 18:59

Infografia, covid-19: Portugal não está a acompanhar a tendência decrescente europeia (4 gráficos que comparam o país com o mundo)

Infografia, covid-19: Portugal não está a acompanhar a tendência decrescente europeia (4 gráficos que comparam o país com o mundo)

Portugal, Áustria e República Checa são os únicos de um grupo bastante alargado de países europeus que não estão a manter uma tendência decrescente consistente no números de novos casos confirmados. Portugal é mesmo o país onde a subida do número médio de casos na última semana é maior

Ao 70º dia após o 100º caso reportado, Portugal mantém um caminho controlado no ritmo de casos registados. Os Estados Unidos vão já com 1,6 milhões de casos (25 mil foram reportados no último dia) mas estão também a abrandar o ritmo de propagação - assim como a maioria dos países que registaram 100 casos há tanto ou mais tempo do que Portugal. Exceções nesta tendência de abrandamento são Bahrain e Qatar.

Portugal e Qatar reportaram o 100º caso há exatamente 70 dias mas seguiram trajetórias diferentes: Portugal achatou a curva, o Qatar não – a variação diária é superior a 4,2%. O Qatar tem 2,8 milhões de habitantes, perto de 1/4 da população residente em Portugal. Dentro dos países mais afetados pelo surto é mesmo o primeiro em número de casos por habitante.

Pelo 14º dia consecutivo Portugal voltou a ter uma variação diária de casos inferior a 1%, hoje foi no limite mas, ainda assim, abaixo da marca: 0,96%. É nesta fase que as linhas passam a ter um desenho mais achatado e são muitos os exemplos que já o têm: Coreia do Sul, um país que até começou com um número bastante elevado de casos mas que acabou por controlar o surto de forma eficaz, Áustria, Islândia ou Grécia. Outros, com números superiores aos portugueses, como China, Espanha ou Itália, também têm as curvas nesta situação. Ainda assim, a evolução do número de infetados com covid-19 em Portugal está notoriamente abaixo da evolução que se verificou nos países com uma situação mais grave, como China, Itália, Espanha ou Irão.

Vamos aos números absolutos: Portugal teve hoje 288 novos casos, mais 36 do que ontem. A relação entre este indicador e a variação diária permite avaliar se o dia foi mais positivo ou mais negativo no que diz respeito apenas ao número de infetados, mais uma vez, na mesma fase do surto. Quando nos comparamos com os outros países há tanto ou mais tempo do que nós com mais de 100 casos vemos 6 com indicadores mais otimistas – assinalados no gráfico a amarelo – e 7 com resultados mais negativos – assinalados a azul. Qatar, Singapura e Bahrain apresentavam uma variação diária mais elevada, o que acaba por marcar a tendência ascendente das linhas da evolução dos casos nestes países.

Já quanto à linha que regista as mortes, também aqui começa a ser visível uma tendência de abrandamento do ritmo de crescimento da curva portuguesa, que mantém um distanciamento confortável das linhas que comparam o surto noutros países. Alemanha, Suécia, Estados Unidos e Canadá são alguns dos países que tinham uma situação mais positiva do que Portugal no início do surto mas não conseguiram controlar os números da mesma forma.

Nos valores acumulados, no ponto onde estamos, 62 dias a partir da 10ª morte, as 1289 mortes acumuladas em Portugal colocam-nos entre China e Indonésia. Aliás, o percurso da linha portuguesa nos últimos dias não é muito diferente do da linha da Indonésia; Portugal ainda tem um número acumulado ligeiramente mais elevado mas com um crescimento inferior, o que faz aproximar gradualmente as duas linhas.

Mas teremos já ultrapassado o pior momento? Se olhar para o gráfico em baixo, onde em vez de analisarmos os números acumulados fazemos uma média dos valores dos últimos sete dias (o que atenua os efeitos de dias com picos anormais, sejam altos ou baixos), percebemos que a tendência decrescente do número de casos foi quebrada ainda antes do desconfinamento. Seguiram-se dias de alternância entre números mais positivos e menos positivos que nos levaram a um novo 'planalto'. Na última semana, o valor médio de novos casos diários subiu gradualmente de 188 para 231, em média mais 43 novos casos por dia.

E o desconfinamento nos outros países europeus? Alemanha, Bélgica, Espanha, Dinamarca Itália e Reino Unido, todos eles com números superiores aos nossos, mostram que até ao momento o desconfinamento não afetou negativamente a tendência decrescente de novos casos. Os Países Baixos reduziram, em pouco mais de duas semanas, os números de novos casos de 382 para 174 (-207). Salvaguardando as devidas diferenças nos números, França e Portugal têm um desenho muito similar entre as duas linhas mas, nas últimas semanas, França tem conseguido manter uma descida consistente.

Já a Áustria e a República Checa mostram uma inversão na tendência decrescente: tal como em Portugal, o valor de médio de novos casos por dia subiu nos últimos dias. Estes dois países têm valores mais baixos do que os portugueses: a Áustria, no ponto mais baixo, tinha 35 novos casos em média e agora tem 47 (+12) e a República Checa subiu de 42 para 58 (+16).

A Rússia é o grande 'outlier' neste grupo de países: não consolidou uma tendência decrescente mas parece ter estabilizado os novos casos em valores abaixo dos 10 mil casos por dia.

As 12 mortes registadas hoje não conseguem atenuar a tendência de crescimento gradual do número médio dos últimos 7 dias. Também aqui Portugal parece estar em contraciclo com o resto da Europa. Ainda assim, de forma mais global, a linha portuguesa tem tido um registo mais estável do que a linha dos novos casos diagnosticados. No final de abril o valor médio dos óbitos era 27, atualmente é 14, um valor equiparado aos registados no final de março. A Suíça, que no total tem mais mortes do que Portugal, tem já um número médio de novos óbitos inferior ao nosso.

1
1