expresso.ptexpresso.pt - 22 mai 17:27

Afonso já ia para a escola sozinho, agora tem “aproveitamento quase zero”. Alunos deficientes com “perdas irreparáveis no futuro”

Afonso já ia para a escola sozinho, agora tem “aproveitamento quase zero”. Alunos deficientes com “perdas irreparáveis no futuro”

Eles precisam do toque vedado pela tecnologia. Privilegiam a zona sensorial das relações, das terapias e das consultas de psicologia. Também das aulas, agora atravessadas pelos ecrãs. Como Afonso, os alunos com deficiência cognitiva a frequentar as escolas públicas são mais de 88 mil em Portugal e terão “perdas irreparáveis no futuro”

Acordava com entusiasmo para estudar. A pé, de casa para a paragem, Afonso desengatava-se dos braços da mãe, Rute, “apanhava a camioneta e ia para a escola”. Sozinho. “Para ele, isto era espetacular”, o momento de independência. Desde que ingressou, em setembro, no 5º ano na escola EB23 Padre António Luís Moreira, em Gaia, passinho a passinho, foi sabendo olhar para o horário das aulas e distinguir as salas das disciplinas a que assiste das que lhe marcam a diferença.

Deficiência cognitiva parece um nome labiríntico para descrever um menino de doze anos com obstáculos à concentração e à interpretação, e “uma grande mescla de preguiça”, retrata a mãe ao Expresso. Contudo, é esse o código para o incluir na soma de mais de 88 mil alunos em Portugal a frequentarem as escolas públicas com ensino especial e adaptado, para os quais não há soluções lapidadas nesta fase de pandemia.

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