expresso.ptexpresso.pt - 22 mai 16:53

Suécia. “Um exemplo a não seguir” e a insistência na responsabilidade individual: imunidade de grupo ainda é uma miragem

Suécia. “Um exemplo a não seguir” e a insistência na responsabilidade individual: imunidade de grupo ainda é uma miragem

Um endocrinologista sueco diz que se está “a sacrificar os idosos e os doentes”, pelo que a estratégia “não é algo que alguém deva copiar”. A ministra da Saúde já reconheceu que as autoridades “falharam na proteção dos idosos”, mas quer que os profissionais essenciais regressem ao trabalho mais rapidamente. O plano é descrito como “muito irresponsável”, mas também há quem fale nos “muitos equívocos” de quem olha para a abordagem sueca à covid-19

A estratégia sueca de combate ao coronavírus não passou, ao contrário da generalidade dos outros países, pela aplicação de medidas de confinamento. Desde o início da pandemia, as pessoas estão autorizadas a deslocar-se aos seus postos de trabalho, a comer em restaurantes e a frequentar espaços públicos. A maioria das escolas, restaurantes e bares mantém-se aberta e o distanciamento social é encorajado mas não imposto. A estratégia concentrou-se ainda no isolamento de grupos de risco e no apelo à responsabilidade individual dos cidadãos. As consequências desta gestão mais relaxada da crise pandémica começam a ser conhecidas: a Suécia é atualmente o oitavo país com mais mortes por milhão de habitantes e na última semana foi mesmo o que registou mais vítimas mortais per capita associadas à covid-19.

A abordagem menos restritiva terá razões culturais e só terá sido possível dada a robustez do sistema nacional de saúde, mas não é acompanhada por todos os suecos nem é consensual entre a comunidade científica do país. No mês passado, mais de dois mil especialistas assinaram duas cartas abertas apelando à adoção de medidas mais duras e com instruções de cumprimento obrigatório por parte dos cidadãos. Aqueles especialistas advertiram os restantes países a não seguirem o exemplo sueco, que, garantiram, ignora muita da melhor investigação que tem sido feita relativamente ao novo coronavírus.

O endocrinologista Olle Kämpe, consultor destacado do Karolinska Institutet de Estocolmo, disse ao site Business Insider que o país está “a sacrificar os idosos e os doentes”, pelo que a estratégia “não é algo que alguém deva copiar”. O Governo começou por garantir que a sua abordagem não está assente na aquisição de “imunidade de grupo”. Também conhecida como “imunidade de rebanho”, trata-se de uma forma de proteção indireta contra doenças infecciosas que ocorre quando uma grande percentagem da população se torna imune à infeção, através da vacinação ou de infeções anteriores, conferindo proteção a indivíduos que não estão imunes.

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