expresso.ptexpresso.pt - 22 mai 16:50

Manuel Monteiro põe-se fora da corrida presidencial e trava Adolfo Mesquita Nunes

Manuel Monteiro põe-se fora da corrida presidencial e trava Adolfo Mesquita Nunes

O antigo presidente do CDS, que voltou esta semana ao partido, diz que não tem pretensões presidenciais e sugere que votaria mais depressa em Marcelo Rebelo de Sousa do que em Adolfo Mesquita Nunes, antigo vice-presidente do partido.

Manuel Monteiro deu a sua primeira entrevista na qualidade de novo militante do CDS e decidiu acabar com o tabu que se ia criando sobre a hipótese de vir a concorrer a Belém: "Não sou hipótese. Isso está completamente fora de questão”, garante.

Em entrevista à "Rádio Observador", o antigo presidente do CDS aproveitou ainda para dizer que mais depressa votaria em Marcelo Rebelo de Sousa do que em Adolfo Mesquita Nunes, antigo vice-presidente do partido, cuja candidatura está a ser equacionada por algumas figuras ligadas à direita.

As palavras de Manuel Monteiro, cujo processo de refiliação foi concluído na segunda-feira e anunciado na quarta-feira, ganham maior relevância depois de a própria direção do CDS ter torcido o nariz a Adolfo Mesquita Nunes. Tal como explicava o Expresso na segunda-feira, o tema foi discutido na comissão política nacional do partido e vários dirigentes do partido não só recusaram a hipótese de apoiar uma eventual candidatura de Mesquita Nunes como avançaram com outros nomes que seriam melhores candidatos que o antigo vice de Cristas: Bagão Félix, José Ribeiro e Castro e o próprio Manuel Monteiro.

Os primeiros dois garantiram à revista "Visão" que não estavam disponíveis para avançar para Belém. Agora, com o rotundo 'não' de Manuel Monteiro à "Rádio Observador", os três favoritos desaparecem da corrida. E mais do que um apoio a Adolfo Mesquita Nunes, que continua sem se pronunciar publicamente sobre a hipótese, o mais provável é que o CDS venha a apoiar Marcelo Rebelo de Sousa.

Apesar de a decisão não estar formalmente tomada o Expresso sabe que há quem, na direção do partido, esteja muito tentado em apoiar a recandidatura do social-democrata e que note que as declarações de Francisco Rodrigues dos Santos devem ser lidas à luz do atual contexto - o democrata-cristão está a tentar condicionar o Presidente, mostrando o desagrado com a estratégia de Belém, tentando que corrija o tiro, mesmo que no final do dia acabe por o apoiar de forma mais ou menos empenhada. A avaliação será feita mais perto do final do mandato presidencial e ninguém quer, nesta altura, fechar a porta a Marcelo. Mas os avisos são para ser levados a sérios: o Presidente não pode continuar a achar que tem a direita no bolso.

Nesta entrevista à "Rádio Observador", Manuel Monteiro sugere isso mesmo: “[O CDS] pode até apoiar o professor Marcelo Rebelo de Sousa, mas sem prescindir por um segundo que seja de o criticar quando entender que o deve fazer."

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