eco.sapo.ptFrancisco Aventino Pinheiro - 22 mai 11:30

Há uma luz no fim do túnel… e o futuro?

Há uma luz no fim do túnel… e o futuro?

Mais do que nunca, deveremos apostar numa advocacia preventiva e de proximidade com o cliente. Devemos, também, guiá-los para apostarem em formações de futuro, na indústria do futuro e na saúde.

Haverá já uma luz ao fundo do túnel? No momento em que vos escrevo estas palavras, o Primeiro-Ministro de Portugal afirmou que existe uma luz ao fundo do túnel, mas que nós ainda não a vemos. Acredito que haverá uma luz ao fundo do túnel, mas o futuro trará desafios e dificuldades como até hoje nunca surgiram. É o Mundo que está em “lockdown” e a crise que se instalará em Portugal, em princípio, também se instalará no resto do Mundo. Não há livro de economia que preveja isto. Mas deixemos a economia aos economistas.

A nível jurídico, que impactos teremos no nosso dia-a-dia enquanto advogados? Uma situação é certa, as insolvências, processos de recuperação, incumprimentos contratuais, renegociações contratuais, resoluções, despedimentos coletivos, extinções de posto de trabalho, processos disciplinares, ações judiciais nos tribunais, execuções, divórcios, dívidas fiscais, incumprimentos dos requisitos do “lay-off simplicado”, criações de novas empresas, impugnações paulianas, processos crime, despejos, cobrança de dívidas e de honorários… vai tudo aumentar.

O teletrabalho passará a ser uma realidade ainda maior na nossa sociedade, com algumas empresas a perceberem, que lhes é vantajoso economicamente e produtivamente, ter os trabalhadores e colaboradores em teletrabalho.

O ensino à distância tornar-se-á, ainda mais, uma realidade plausível, com as instituições a apostarem fortemente nesta vertente.

Como advogados deveremos aproveitar estas oportunidades para nos modernizarmos e atualizarmos. No entanto, muitos clientes nos perguntarão que rumo tomar, que formação profissional efetuar, em que indústria apostar. Vão olhar para nós como um guia, um farol no meio do medo escuro em que se encontram.

Nestes novos desafios que se adivinham, temos de demonstrar que nós, advogados portugueses, para além, de advogados, juristas, psicólogos e padres, somos também gestores de negócios, empresários, economistas e futurologistas. Temos de lhes mostrar que existe uma saída, por mais dolorosa que seja, e que vamos conseguir ultrapassar esta situação.

Mais do que nunca, deveremos apostar numa advocacia preventiva e de proximidade com o cliente. Devemos, também, guiá-los para apostarem em formações de futuro, na indústria do futuro, nas novas tecnologias, na saúde, na investigação e desenvolvimento.

Há tempos, li uma suposta citação de um CEO alemão da “AutoEuropa”. Desconheço se é verdade ou não, ou se se trata de uma “fake news”, mas vou reproduzi-la, porque me identifico com a sua mensagem e creio que todo o português se identifica com o seu significado subliminar: “Toda a empresa deveria ter um Português dentro de uma redoma de vidro, com um aviso a dizer: Quebrar em caso de emergência.”

Havemos de ultrapassar, também, a crise que se adivinha, dela surgirão novas oportunidades, novos futuros e sairemos dela mais fortes e unidos do que nunca.

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