expresso.ptexpresso.pt - 26 mar 00:14

Guterres avisa: se não ajudarmos agora os países pobres, o vírus vai tornar a dar a volta ao mundo

Guterres avisa: se não ajudarmos agora os países pobres, o vírus vai tornar a dar a volta ao mundo

O apelo internacional agora lançado pelo secretário-geral da ONU visa ajudar a aliviar a miséria que se espalha nos países mais pobres, mas é no interesse do mundo inteiro

Ao lançar esta quarta-feira um apelo internacional para angariar dois mil milhões de dólares (1,84 mil milhões de euros) para ajudar os países mais pobres do mundo a enfrentar a crise do coronavírus, o secretário-geral da ONU, António Guterres, invocou um argumento difícil de contestar: o interesse próprio das nações mais prósperas.

"A pior coisa que podia acontecer era suprimir-se a doença em países desenvolvidos e deixá-la espalhar-se como fogo no mundo em desenvolvimento, onde então milhões de transmissões terão lugar", explicou Guterres. "Milhões de pessoas morrerão e haverá o risco de mutações, o que significa que o vírus poderá regressar em formas que mesmo as vacinas que, eu espero, serão em breve desenvolvidas, não conseguiriam voltar a pará-lo".

O apelo, cujo montante, conforme Guterres notou, representa literalmente um milésimo do pacote de auxílio à economia americana agora em vias de aprovação no Congresso, destina-se a financiar equipamento médico para testar e tratar doentes e para proteger profissionais de saúde. Outros objetivos incluem ajudar refugiados e outras pessoas deslocadas a instalarem-se em novas comunidades.

Cerca de um quarto dos dois mil milhões será entregue à Unicef, a agência da ONU para os assuntos de crianças, cuja diretora executiva, Henrietta Fore, disse que 40 por cento da população mundial não tem meios para praticar a mais básica das precauções que evitam a transmissão da Covid-19: lavar as mãos com água e sabão. Fore também lembrou que o encerramento de escolas em 120 países deixou milhões de crianças vulneráveis a muitos tipos de violência, física e não só.

O dinheiro a angariar, que deverá vir sobretudo de governos, destina-se a países em África, na Ásia, na América Latina e no Médio Oriente. Em vários, a epidemia soma-se a outros fatores de miséria e devastação, como guerras, os efeitos do aquecimento global e os desastre naturais.

1
1