sol.sapo.ptsol.sapo.pt - 26 mar 20:13

Unicef alerta para risco de interrupção da vacinação de crianças

Unicef alerta para risco de interrupção da vacinação de crianças

África, Ásia e Médio Oriente poderão enfrentar "problemas de surtos adicionais por doenças evitáveis com vacinação".

A Unicef alertou nesta quinta-feira para o risco de os serviços de vacinação, começarem a falhar durante o combate à pandemia do novo coronavírus. As zonas identificadas como de maior risco — onde são “extremamente necessários” — são África, mas também a Ásia e o Médio Oriente. 

“À medida que a pandemia avança, os serviços críticos que salvam vidas, incluindo a vacinação, provavelmente serão interrompidos”, explicou a diretora do fundo das Nações Unidas para a infância, Henrietta Fore numa declaração nesta quinta-feira publicada no site da Unicef. 

Em maior risco, detalha, estão as crianças que vivem já em situação de pobreza nos países afetados por conflitos e catástrofes naturais. "Estamos particularmente preocupados com países que estão a lutar contra o sarampo, cólera ou surtos de poliomielite enquanto respondem aos casos da covid-19, tais como Afeganistão, República Democrática do Congo, Somália, Filipinas, Síria e Sudão do Sul”.

Nestes países, a pandemia terá efeitos muito para lá das mortes causadas por covid-19, com a pressão sobre os serviços de saúde à qual nem países como Itália ou Espanha têm forma de dar resposta- 

"Num momento como este, estes países podem ter problemas para enfrentar surtos adicionais por doenças evitáveis com vacinação", alerta a responsável, que acrescenta: "A mensagem é clara: não devemos permitir que intervenções de saúde que salvam vidas sejam vítimas dos nossos esforços para enfrentar a covid-19”. 

E não é apenas a falta de capacidade de resposta dos serviços de saúde que poderá deixar as crianças mais expostas a outras doenças por falta de vacinação.

Segundo Henrietta Fore, o próprio "distanciamento físico está a levar os pais a tomar a difícil decisão de adiar a vacinação de rotina”. Além disso, também as cadeias de abastecimento dos serviços de saúde estão sob "uma tensão histórica devido às interrupções no transporte”, o que tem levado à dificuldade no acesso a medicamentos essenciais, “incluindo vacinas”, em vários países.

"A Unicef está empenhada em apoiar as necessidades de cuidados básicos de saúde e imunização nos países mais afetados e em fazê-lo de uma forma que limite o risco de transmissão da COVID-19", comprometeu-se a responsável, garantindo que o organismo das Nações Unidas está “em estreita comunicação com os fornecedores globais de vacinas para garantir que a produção não seja interrompida e que o fornecimento seja gerido da melhor forma possível nestas circunstâncias difíceis”, bem como a procurar tanto quanto possível apoiar os governos através do fornecimento de vacinas durante a pandemia.

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