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BCE ativa mega plano de Draghi para eliminar limites à compra de dívida

BCE ativa mega plano de Draghi para eliminar limites à compra de dívida

O Banco Central Europeu vai mesmo ativar o plano desenho pelo ex-líder da instituição, Mario Draghi. Conhecido por OMT, é o instrumento mais potente para a compra de dívida soberana alguma vez usado pelo BCE. - Economia , Jornal de Negócios.
O Banco Central Europeu (BCE) ativou o programa mais potente de compra de dívida soberana criado por Mario Draghi, em 2012, numa decisão histórica que visa eliminar quaisquer limites impostos para a compra de dívida soberana dos países da região, com o objetivo de conter o impacto económico do coronavírus. 

A s Transações Monetárias Definitivas (OMT, na sigla em inglês) vão assim destruir o limite de 750 mil milhões de euros impostos pelo banco central na semana passada, do anunciado programa de "Quantitative Easing" (QE) e a partir de agora não haverá limite para a compra de dívida. 

"O BCE não vai tolerar riscos à transmissão suave da sua política monetária em todas as jurisdições da área do euro", de acordo com o documento divulgado nesta quinta-feira, dia 24 de março, pelo BCE.

A notícia já tinha sido avançada ontem, mas só agora é oficial e há um documento com as indicações do banco central. 

Este novo 
programa de emergência vai ter início no dia de hoje e estará em vigor até ao final de 2020. O BCE adiantou que este pacote inclui também a compra de títulos com maturidades mais curtas (a partir de 70 dias), face ao programa de QE atualmente em jogo, que apenas abrangia dívida com maturidade de pelo menos um ano.

A decisão surge numa altura em que a presidente da instituição europeia, Christine Lagarde, diz que "não há limites" para o compromisso do BCE com o euro, tendo em conta a profunda recessão que a região enfrenta devido às severas restrições impostas para controlar a disseminação do coronavírus.

As OMT foram desenhadas em 2012 após o então presidente do BCE Mario Draghi ter prometido fazer "o que fosse necessário (whatever it takes)" para salvar a moeda única durante a crise da dívida soberana. Este instrumento permite ao BCE comprar quantidades quase ilimitadas de dívida soberana dos países da Zona Euro, fazendo baixar as yields.

Hoje, os juros da dívida italiana com maturidade a dois anos foram os que mais beneficiaram com este anúncio e caíram 13 pontos base para os 0,32%, o que representa o seu menor valor de uma semana. Com maturidade a dez anos, os juros transalpinos cedem 7 pontos base para os 1,49%.

As quedas espalharam-se aos outros mercados periféricos, como Portugal ou a Grécia, onde as "yields" caíram entre 5 e 8 pontos base. Nas maiores economias da Zona Euro o impacto foi mais reduzido, com os juros da dívida germânica a perderem apenas 1 ponto base para os -0,30%. 

Na semana passada, Christine Lagarde tinha anunciado o Pandemic Emergency Purchase Programme (PEPP), um programa de compra de ativos do setor público e privado, no valor de 750 mil milhões de euros, destinado a estimular as economias bastante castigadas pela covid-19. Agora, com a implementação das OMT, esse valor fica sem efeito, uma vez que não vão existir limites à compra de dívida. 

Na passada segunda-feira, dia 23 de março, também a Reserva Federal dos EUA (Fed) tinha anunciado  um pacote de compra de dívida soberana e corporativa ilimitada para conter o impacto económico do coronavírus, que derrubava assim o seu programa inicial de compra de dívida no valor de 500 mil milhões de dólares. 
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