expresso.ptexpresso.pt - 26 mar 22:25

Covid-19. Insultos e ovos atirados das janelas: em Espanha muitos não perdoam as saídas à rua

Covid-19. Insultos e ovos atirados das janelas: em Espanha muitos não perdoam as saídas à rua

A partir da janela e das varandas, estão prontos para condenar quem vêem sair de casa, mesmo que desconheçam os motivos e os direitos de cada um. Aconteceu com um pai que levou o filho, autista, a um parque, mas a muitos outros cidadãos, que dizem ter sido insultados. Volume de denúncias já justificou que uma associação viesse pedir "civismo e solidariedade"

Em Espanha, a partir das janelas e das varandas, não chegam apenas ecos de iniciativas solidárias ou gestos de proximidade. Há cada vez mais quem se queixe de ser insultado se é visto a sair à rua, mesmo que tenha motivos e as devidas autorizações para o fazer.

O “eldiario.es” conta um destes episódios, de que foi vítima um pai, por ter levado o filho a fazer um curto passeio a um parque próximo de casa. Conta José Manuel, de Madrid, que saiu no domingo pela primeira vez desde a declaração do estado de emergência, dado ter um filho de nove anos, com autismo e diagnóstico de hiperactividade, a quem o impacto do isolamento pode afetar particularmente.

Situações como esta estão acauteladas e nestes casos sair de casa é permitido, garantindo José Manuel que teve o cuidado de tomar todas as precauções recomendadas: procuraram uma zona sem gente, nem mobiliário urbano e o filho levava luvas.

Ao regressar, foi surpreendido com toda a espécie de insultos a partir das janelas da vizinhança. Houve mesmo alguém que chamou a polícia, tendo os agentes acabado por verificar que este pai tinha na sua posse os documentos que lhe permitiam sair, nomeadamente uma declaração do pediatra e uma outra atestando o diagnóstico do menor.

José Manuel partihou no Twitter a sua experiência, e foram muitas as famílias que o contactaram, descrevendo situações semelhantes.
O volume de denúncias – há quem diga que até ovos foram atirados na direção de alguém que caminhava na rua – levou uma associação que representa pessoas com deficiência a emitir um comunicado pedindo “civismo e solidariedade”. Na nota, a Plena Inclusion menciona “numerosos casos” detetados.

Outra associação, a Rights International Spain apela à responsabilidade dos cidadãos. Respeitar a quarentena é preciso, tal como intervir no caso de serem detetados comportamentos de alguém que possa estar a violar as regras. Mas que isso não apague a solidariedade e o respeito por quem vive situações e necessidades específicas. “Em primeiro lugar, é de perguntar e falar com a pessoa, porque ela pode até estar a precisar de ajuda", referiu ao mesmo jornal Patricia Goicoechea, vice-presidente da associação.

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