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Dois alertas para levar muito a sério, o grave caso espanhol, o enorme apelo de Macron e outras histórias da covid-19 no mundo

Dois alertas para levar muito a sério, o grave caso espanhol, o enorme apelo de Macron e outras histórias da covid-19 no mundo

Ponto da situação das últimas horas sobre o que se está a passar fora de Portugal

Espanha ultrapassou esta quarta-feira a China e tornou-se o segundo país com o maior número de mortos relacionados com a covid-19. Os dados mais recentes apontam para 3.647 vítimas mortais e quase 50 mil casos de infeção em solo espanhol. A situação mais grave continua a ser a italiana, com mais de 7.500 mortos. Ainda assim, Itália registou pela primeira vez menos mortes do que Espanha.

É também do país vizinho que nos chega uma história difícil de narrar: um grupo de idosos infetados foi recebido com pedras e explosivos numa transferência de lar na Andaluzia. Entretanto, um segundo teste confirmou que a primeira vice-presidente do Governo espanhol, Carmen Calvo, está infetada. Em Espanha, a doença atinge homens e mulheres por igual, mas mata o dobro dos homens.

Também foi notícia que mais de mil pessoas já foram detidas em Espanha por incumprimento do estado de emergência e que a última semana de fevereiro foi determinante para o contágio no país. E ainda que as autoridades espanholas desembolsaram 450 milhões de euros para a aquisição de equipamentos médicos à China.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, apelou à unidade e a uma “França fraterna” para vencer a pandemia. Horas antes, as autoridades de saúde tinham anunciado mais 231 mortes, elevando para 1.331 o número total de vítimas mortais no país. O aeroporto de Orly, o segundo maior que serve a capital francesa, vai ficar encerrado pelo menos até 31 de março.

A Alemanha superou os 30 mil casos de infeção e proibiu a entrada de trabalhadores sazonais estrangeiros. No Bundestag, a câmara baixa do Parlamento alemão, foi aprovado um pacote de medidas, o maior desde a II Guerra Mundial, num total de 750 mil milhões de euros para travar os efeitos do coronavírus. E o segundo teste à chanceler Angela Merkel confirmou o resultado negativo do primeiro.

Boris pediu 250 mil voluntários, 405 mil responderam

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, fez esta quarta-feira um “agradecimento especial” às 405 mil pessoas que se voluntariaram para ajudar o serviço nacional de saúde. Na véspera, Johnson tinha pedido 250 mil voluntários. Isto no mesmo dia em que se noticiou a morte de Steven Dick, um dos representantes do Reino Unido na embaixada britânica em Budapeste, aos 37 anos, e que o Parlamento britânico votou o encerramento de portas durante quatro semanas. Também fez manchetes um pouco por todo o mundo que o príncipe Carlos se encontra infetado, mas que a sua mulher, Camila, não está doente.

Uma pessoa que vive na residência do Papa Francisco teve resultado positivo no teste à covid-19 e está internada numa unidade hospitalar, noticiou o jornal italiano “Il Messaggero”. O diário adiantou que a pessoa em causa trabalha no secretariado do Vaticano.

Um grupo de eurodeputados exige a evacuação do campo da ilha grega de Lesbos para evitar uma “catástrofe em toda a Europa”.

O tenista suíço Roger Federer anunciou a doação de quase um milhão de euros para ajudar no combate ao coronavírus no seu país.

Um grande ensaio clínico vai testar quatro tratamentos em sete países europeus: França, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, Reino Unido, Alemanha e Espanha – e ainda poderá chegar a outros países. E Bruxelas harmonizou as normas para o fabrico de equipamento de proteção.

Alerta 1: “O custo da hesitação pode ser irreversível”

Costa, Macron e Sánchez estão entre os nove líderes subscritores de uma carta a pedir coronabonds. Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu, deixou um alerta sobre a crise: “O custo da hesitação pode ser irreversível”. Já a Organização Mundial de Comércio prevê uma contração da economia e uma destruição de emprego piores do que na crise de 2008.

Nos EUA, um plano de 1,85 biliões de euros para relançar a economia recebeu a luz verde do Senado.

No Brasil, o Ministério da Saúde atualizou os dados relativos ao coronavírus no país: 57 mortos, 2.433 casos confirmados e uma taxa de letalidade de 2,4%. E os traficantes das favelas do Rio de Janeiro dizem estar a fazer o que o Governo não faz: “Fiquem em casa ou esperem represálias.”

As Nações Unidas ofereceram apoio a Angola para criar um Centro de Operações de Emergência. E a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu a libertação imediata de alguns prisioneiros em todo o mundo.

Alerta 2: não levantem restrições antes do tempo

Numa breve ronda pelo mundo, registou-se a primeira morte na Palestina e há dois casos em Gaza, a zona mais densamente povoada do planeta, a Ucrânia declarou situação de emergência, à semelhança do que fez a Nova Zelândia, e o número de infetados subiu para 91 na Venezuela. Neste link encontrará um mapa e cinco gráficos para saber onde a pandemia já chegou.

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) advertiu que “a janela de oportunidade está a fechar-se” e alertou para o risco de se levantar restrições antes do tempo. “A última coisa de que qualquer país precisa agora é reabrir escolas e negócios e ser forçado a fechá-los novamente por causa de um ressurgimento do vírus.”

O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial pedem a suspensão do pagamento de dívida dos países mais pobres. Três quartos da população do G7 acreditam que vão ficar mais pobres. A receita pública caiu quase 10% na China nos dois primeiros meses do ano. E se a utilização do Facebook está a explodir, as receitas publicitárias contraem.

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