expresso.ptexpresso.pt - 26 mar 23:55

Covid-19. Mais de 3500 infetados em Portugal (mas número de recuperados duplica) num “momento de exceção” que abalroará a economia

Covid-19. Mais de 3500 infetados em Portugal (mas número de recuperados duplica) num “momento de exceção” que abalroará a economia

Portugal já testou “mais de 22 mil pessoas”, disse Graça Freitas, mas os testes continuam a dar que falar e esta quinta-feira chegaram mais 5000. O país soma agora 60 mortos e 43 recuperados - os municípios a norte são os mais castigados com a pandemia. O país prossegue na fase de mitigação

No dia em que a Ordem dos Enfermeiros pediu ao Ministério da Saúde o início urgente da realização de testes de rastreio do novo coronavírus a todas as equipas que asseguram cuidados de saúde com risco de infeção, Portugal soube ter atingido um total de 3544 doentes.

São os números mais recentes divulgados pela Direção-Geral da Saúde, onde constam agora 60 mortes (mais 17 do que na véspera), embora sejam menos as pessoas internadas - passaram de 276 para 191, estando 61 delas em unidades de cuidados intensivos. Nenhuma taxa de aumento foi tão grande como a de pacientes recuperados: 95%. Há cerca de 24 horas, havia 22 pessoas que se tinham curado da doença, agora há 43.

Porque é especialmente difícil para quem está no terreno, o Centro Hospital de Leiria anunciou que vai prestar apoio emocional aos seus trabalhadores.

Numa situação que tem merecido especial preocupação, vão começar a ser retirados na noite desta quinta-feira os idosos com Covid-19 do Lar de Nossa Senhora das Dores, em Viia Real, sendo encaminhados para o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro. Os meios estão a ser mobilizados e os operacionais devidamente equipados para a operação, informou o presidente da autarquuia local, Rui Santos, que acrescentou terem sido detetados mais 25 idosos e funcionários infetados, elevando para 45 o número total de doentes nesta instituição.

Na sua comunicação diária habitual, a diretora-geral da Saúde explicou que vários dos medicamentos que foram utilizados para o vírus do Ébola estão a ser usados para tratar doentes com Covid-19 e com sucesso. Graça Freitas disse, também, que a taxa de letalidade do vírus em Portugal “é pouco superior a 1%". Como tem sido repetido, "sendo mais elevada na faixa etária dos idosos”.

O país está na fase de mitigação e o sistema de saúde tenta antecipar-se à voragem da pandemia. O Hospital da Cruz Vermelha vai passar a receber doentes com Covid-19,a partir de segunda-feira, ainda que a opção se tenha revelado longe de consensual. Tudo porque o corpo clínico e o conselho de administração do hospital não têm o mesmo entendimento sobre as condições da unidade para acolher pacientes com doenças infecciosas.

E porque o objetivo já muito explicado é o de evitar idas aos hospitais ou a centros de saúde com doentes comuns, diminuindo assim o risco de contágio, há unidades de saúde abertas para casos suspeitos. Na zona de Lisboa e Vale do Tejo são 35.

Ainda os testes. Espanha devolveu à China testes rápidos para detetar pessoas infetadas com o novo coronavírus, depois de verificar que a sua qualidade não correspondia ao anunciado. Por cá, a garantia é a de que Portugal não comprou este tipo de testes.

Outra informação dada por Graça Freitas: até ao momento, Portugal já testou “mais de 22 mil pessoas”.

Em matéria de desobediência, o balanço do dia revela que cinquenta e quatro pessoas foram detidas, até às 18h00. Enquanto durar o estado de emergência, há regras para cumprir.

Quanto ao outro impacto, previsível, da Covid-19, o Banco de Portugal avança dois cenários para a evolução da economia portuguesa este ano. No Boletim Económico publicado esta quinta-feira, o banco central apresenta um cenário base em que o PIB cai 3,7% e o desemprego dispara para 10,1% em 2020 e um cenário adverso em que a recessão chega a 5,7% e a taxa de desemprego atinge 11,7%.

Porque o momento é de exceção, o apoio às empresas também o será, prometeu Siza Vieira. Em entrevista à SIC, o ministro da Economia diz que o objetivo do Governo é o de fazer "um apoio extraordinário à manutenção do emprego". Para o explicar, deu o exemplo do que significa o apoio ao lay-off - o empregador "só paga 16% do custo" que tinha com os trabalhadores.

Sem perder tempo, Marcelo Rebelo de Sousa promulgou "imediatamente" sete diplomas, saídos do conselho de ministros que horas antes aprovou mais um pacote de medidas para fazer frente ao impacto da crise da Covid-19.

Estão entre os diplomas aquele que estabelecem medidas excecionais de proteção dos créditos das famílias, empresas, instituições particulares de solidariedade social e demais entidades da economia social, bem como um regime especial de garantias pessoais do Estado, no âmbito da pandemia da doença Covid-19.

Uma pergunta final: Portugal impôs as medidas de isolamento social mais cedo do que os países mais atingidos pela epidemia? A Escola Nacional de Saúde Pública fez as contas e concluiu que, dependendo do critério usado, o país pode não se ter antecipado nas medidas de controlo de circulação para travar o surto.

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