eco.sapo.pteco.sapo.pt - 26 mar 07:00

Renováveis batem recordes, carvão em mínimos históricos

Renováveis batem recordes, carvão em mínimos históricos

No ano passado, a produção renovável abasteceu 51% do consumo nacional de energia elétrica e o carvão registou a quota mais baixa desde a abertura da Central de Sines, em 1989.

Na sequência da apresentação de resultados relativos ao ano de 2019, a REN – Redes Energéticas Nacionais diz que “ainda é cedo para fazer uma antevisão do impacto desta crise” na sequência da pandemia de Covid-19. “Fá-lo-emos em devido tempo”, sublinha o operador da rede de transporte.

“O inicio de 2020 está a ser afetado de forma dramática pela epidemia global de Covid19. Pusemos em marcha todos os nossos planos de contingência crítica para poder garantir a operacionalidade da empresa no cumprimento dos seus serviços que são indispensáveis ao país”

E se 2020 ainda é uma incógnita, de acordo com a REN 2019 ficou marcado por uma produção renovável com níveis recorde, tendo sido a primeira vez que a produção fotovoltaica ultrapassou a marca anual de 1 TWh. A produção eólica máxima diária nacional, a 22 de novembro, atingiu os 103,8 GWh e, no mesmo dia, atingiu a potência máxima de 4667 MW.

Já a produção fotovoltaica, que no final do ano contava com cerca de 730 MW instalados, ultrapassou pela primeira vez os 500 MW de potência máxima. “Estes valores evidenciam o peso crescente das fontes de energia renovável, refletindo as prioridades da política de transição energética”, refere a REN.

No ano passado, a produção renovável abasteceu 51% do consumo nacional de energia elétrica, com a eólica a representar 26% do consumo, a quota mais elevada de sempre para esta tecnologia, a hidroelétrica 17%, a biomassa 5,5% e a fotovoltaica 2,1%. Esta última foi a fonte que apresentou maior crescimento percentual em 2019, ultrapassando pela primeira vez 1 TWh de produção anual.

Já a produção não renovável, abasteceu 42% do consumo em 2019, repartida pelo gás natural com 32% e pelo carvão com 10%, a quota mais baixa desde 1989, data da abertura da Central de Sines. O consumo de gás natural totalizou 67,9 TWh, com uma variação anual de 4,8%. Trata-se do segundo consumo anual mais elevado de sempre, 2,5% abaixo do registado em 2017.

No segmento do mercado elétrico, que representou 35% do consumo total, registou-se um crescimento de 14,6% face ao ano anterior, enquanto no segmento convencional se verificou uma tendência de estabilização com um crescimento marginal de 0,2%. O saldo de trocas com o estrangeiro, após três anos exportadores, foi importador, abastecendo 7% do consumo nacional.

Também a utilização do terminal de GNL de Sines foi a mais elevada de sempre, com a operação de 66 navios. Foi também em 2019, a 10 de janeiro, que pela primeira vez em 22 anos o Sistema Nacional de Gás Natural exportou gás natural pela interligação de Campo Maior. “Nesse dia, o fluxo total de gás no VIP Ibérico (ponto virtual que agrega as capacidades das interligações internacionais) para abastecimento do sistema espanhol foi de aproximadamente um milhão de metros cúbicos, tendo sido quase totalmente transportados pela interligação de Campo Maior”, contou a REN.

Desde 2010 a REN plantou mais de um milhão de árvores de espécies autóctones, e nos últimos cinco anos limpou mais de 30 mil hectares nas faixas de servidão das suas infraestruturas, oito mil dos quais em 2019. Neste período, a REN assinou também a carta de compromisso “Bussiness Ambition for 1,5C”, uma iniciativa das Nações Unidas que desafia as empresas, a nível mundial, a criarem medidas de combate às alterações climáticas através da redução da emissão de gases com efeito de estufa, essenciais para travar o aquecimento global.

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