www.publico.ptpublico@publico.pt - 25 mar 16:00

Venceremos!

Venceremos!

Sigamos firmes na defesa de todos, no combate sem quartel a este vírus que nos abriu os olhos para as coisas mais importantes que até há bem pouco tempo pareciam insignificantes.

O impensável aconteceu, o imprevisível concretizou-se, o inimaginável está ai, diante dos nossos olhos: o Mundo parou!

Encerraram-se aeroportos, portos e estações. Montaram-se barricadas e regressaram as visíveis fronteiras. O recolher é obrigatório, quando não por imposição de uma lei quase marcial, pelo menos por dever moral. Está um mundo inteiro enclausurado em casa, quando a tem, impaciente mas ordeiramente à espera que a tempestade passe. 

Há uma casta de gente que se considera imortal, poderíamos dizer que é loucura, mas creio ser mais acertado afirmar-se irresponsabilidade. Uma quase criminosa irresponsabilidade que não colocam em risco a si próprios, mas também a todos nós. Uma semana de confinamento e teletrabalho foi o suficiente para muitos acharem que as ameaças também têm dias de descanso, e foi ver uma turba de gente a veranear nas poucas praias que não estão interditadas e a usufruir de uma tarde de calor e céu limpo. 

Santa ignorância dos que ainda não perceberam que a Humanidade luta contra um inimigo invisível, que não tem limitação geográfica, que não escolhe ricos ou pobres, gordos ou magros, velhos ou novos, homens ou mulheres, negros ou brancos. O coronavírus é uma ameaça global e sabemos todos que o mínimo que devemos fazer é #ficaremcasa!

E enquanto nos habituamos ao confinamento, enquanto nos ajustamos a uma vida familiar (ou de solidão) que ninguém previu, há um batalhão de mulheres e homens, na linha da frente desta batalha, que se entregam totalmente a combater o vírus, a proteger-nos a todos e a tratar os infectados. O SNS é hoje o nosso mais importante esquadrão: médicos, enfermeiros e auxiliares de saúde lutam incessantemente contra o inimigo mortal, sem descanso, sem dar tréguas.

E, no entanto, há os que insistem em arriscar tudo por nada. Os que persistem em sair de casa para passeios injustificados, colocando-se em risco e ameaçando os demais. Há, portanto, uma outra frente de batalha: as polícias, os serviços de segurança, a Protecção Civil, os bombeiros, os militares, os que controlam as movimentações que dão oportunidades ao vírus de ganhar terreno, por inconsciência e desesperos irresponsáveis.

Estamos todos confinados, como nunca antes aconteceu. E, no entanto, prosseguimos tentando adaptar-nos a novas rotinas, que trouxeram para dentro de casa um acréscimo de produção de desperdício e lixo que nos habituámos a dispersar pelos vários locais onde o produzíamos quando a vida nos permitia fazer refeições fora de casa. E também aqui há uma batalhão de combate ao lixo, ao desperdício, que dia após dia garantem a sua recolha mantendo as ruas das cidades, das vilas e das aldeias, agora desertas, limpas e livres de pragas que o seu descontrolo potenciaria. Mas também os que dia após dia, noite após noite, lavam, varrem e desinfectam o espaço público. 

E os serviços públicos que, apesar das restrições, se reinventaram para que nada parasse? Os tantos e tantos funcionários que prosseguem a sua atividade para que nada falte, seja no local de trabalho, seja em teletrabalho no seu lar. E os serviços essenciais que, públicos ou privados, prosseguem incessantes o seu labor? Os supermercados, as farmácias e tantos outros serviços que nos permitem manter uma aparente normalidade.

A todos e todas sem excepção, faço a devida vénia. 

Vivemos tempos imprevisíveis, estamos a viver um dos momentos seguramente mais extraordinários da Humanidade. Tão causadores de espanto como de temor, de esperança como de clamor, de medo mas de resiliência. Sigamos juntos, de pé e à ordem da nossa pátria, dos nossos concidadãos, por cada um de nós e por todos. A tormenta há-de passar, e nós soerguer-nos-emos mais fortes, mais solidários e, com certeza, mais felizes.

Que a este tempo de imprevisíveis nuvens negras que se abateram sobre todos nós se sigam raios resplandecentes de luz e de esperança quando as nuvens se dissiparem, e se levante toda a Humanidade unida pela fraternidade. Havemos de conseguir, juntos. 

Tenhamos fé. Que todos os que estão no epicentro de todas as operações no terreno e todos os que definem a estratégia da defesa do país e dos portugueses se mantenham fortes e sãos.

O país precisa de todos, todos precisamos de todos!

Venceremos!

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