rr.sapo.ptrr.sapo.pt - 25 mar 23:40

Autarca de Chaves indignado com autoridades de saúde

Autarca de Chaves indignado com autoridades de saúde

Nuno Vaz considera “gravíssimo” que hospital de Chaves não tenha testes à covid-19 e que seja preciso esperar “três dias” por diagnósticos”. O autarca insurge-se ainda por ter sido negado às autarquias um acordo com privados para a realização de testes.

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O presidente da Câmara Municipal de Chaves convocou, esta tarde, os jornalistas para denunciar a forma inaceitável como as autoridades de saúde estão a trabalhar nas respostas à população do interior.

“Vivemos tempos de muita dificuldade, de grande incerteza, porque ninguém consegue perceber exatamente qual é a melhor resposta àquilo que neste momento nos assola, que é esta pandemia. Ainda assim, não está a ser feito tudo o que devia ser feito. As respostas das autoridades de saúde estão mal dimensionadas”, considera o autarca.

Para o presidente da Câmara de Chaves “é gravíssimo e inaceitável que na unidade hospitalar de Chaves não haja testes para fazer o despiste à covid-19”. A inexistência de testes “denota uma incapacidade de boa gestão dos recursos ao nível da região Norte”, provocando, tal atitude, “uma preocupação e um grito de alerta”, disse Nuno Vaz.

O autarca flaviense denuncia igualmente que “é inaceitável que seja preciso esperar três ou quatro dias para saber a resposta relativamente a possíveis infetados.

“Está a preparar-se uma decisão no sentido de concentrar as respostas, no que diz respeito ao diagnóstico deste vírus e isso é gravíssimo”.

O presidente da Câmara de Chaves referia-se ao facto de os testes efetuados no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro serem enviados para o Instituto Ricardo Jorge, em Lisboa, para serem analisados, o que vai levar a um aumento da espera dos resultados.

“Não é aceitável que tenhamos que estar à espera três dias para que saibamos uma resposta sobre se as pessoas estão infetadas ou não”, declara o autarca, explicando que “não é aceitável, por razões de natureza humana, pois não se deve estar tanto tempo à espera para saber um resultado desta natureza, mas também é absolutamente inaceitável porque não haverá condições nas unidades hospitalares para terem estes casos suspeitos em observação”, alertou, acrescentando que “não é a melhor resposta os casos suspeitos ficarem em casa”.

Alto Tâmega queria criar Centro de Diagnóstico. Autoridades de saúde não deixaram

De acordo com o presidente da Câmara de Chaves, a Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega (CIM Alto Tâmega) tentou encontrar uma solução para criar um Centro de Diagnóstico, que seria implementado junto ao hospital de Chaves, mas as autoridades competentes impediram “estas entidades” de contratualizar esse serviço.

“É inaceitável que se impeça as autarquias do Alto Tâmega de contratualizarem um centro de diagnóstico, que seria suportado por nós, e de encontrar uma solução equilibrada e equitativa e solidária no território”, denuncia.

O autarca de Chaves referiu ainda que todos os autarcas do Alto Tâmega estão preocupados com o que poderá acontecer na região, um território “de risco, com um índice de envelhecimento elevado”, na medida em que há uma “clara falta de resposta e incapacidade de boa gestão daquilo que são os recursos na região”.

“As decisões devem ser tomadas de forma equitativa e justa”, defende o autarca, lembrando que “nas zonas mais populosas há respostas públicas e privadas que estão a ser mobilizadas pelas autarquias”.

“Somos cidadãos iguais aos outros e precisamos de respostas idênticas. Não podemos continuar sempre nesta matéria tão decisiva a ser os últimos da fila”, considera Nuno Vaz, assegurando que “vamos erguer bandeiras, no sentido de combater aquilo que nos parece uma injustiça e uma inabilidade”.

“O que está a acontecer são bombas relógio”

O autarca insurge-se ainda com a falta de controlo sanitário na fronteira, por entram diariamente centenas e centenas de pessoas. Já em relação aos emigrantes, Nuno Vaz refere que “em algumas localidades parece que estamos em período de férias, parece que estamos no verão”.

“O número de emigrantes é de tal forma enorme que, naturalmente, se fazem notar e, em muitos casos, o que fazem é uma grande perturbação, porque vão às compras, vão visitar os familiares, fazem convívios entre eles. Estamos a falar verdadeiramente de um caldo explosivo”, alerta.

Por isso, o autarca apela a que se faça mais, “que se faça melhor, que se protejam as forças de segurança que estão na fronteira, mas que se protejam os cidadãos que estão no interior do país”.

“Temos que ter a capacidade de fiscalizar, se as pessoas obrigadas a quarentena estão efetivamente a cumprir, porque, se não estiverem, o que está a acontecer são bombas relógio que estão a contaminar, que estão a espalhar o vírus e isso é inaceitável, é um crime de saúde pública”, considera o autarca de Chaves.

E neste contexto, o autarca incita a que “se os instrumentos, neste momento, alocados a este desafio não são suficientes, então convoque-se o exército para que haja uma vigilância próxima” e para as pessoas que não cumprirem, defende, que sejam sancionadas “criminalmente”.

Segundo o último relatório da Unidade de Saúde Publica do Alto Tâmega e Barroso no concelho de Chaves há 7 casos de Covid-19 e 50 casos suspeitos.

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