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Cafôfo candidato à liderança do PS-Madeira, para dar voz à maioria social

Cafôfo candidato à liderança do PS-Madeira, para dar voz à maioria social

Eleições foram adiadas para Maio, altura em que Paulo Cafôfo já cumprirá o requisito de um mínimo de seis meses de militância.

É o segundo acto da ascensão de Paulo Cafôfo no interior do PS-Madeira. Militante socialista há três meses, o antigo presidente da Câmara Municipal do Funchal e actual deputado socialista no parlamento madeirense apresenta este sábado a candidatura à liderança dos socialistas locais.

O congresso do partido está marcada para os dias 23 e 24 de Maio, no Funchal, e a eleição directa do presidente do PS-Madeira e dos delegados ao congresso acontece a 9 de Maio. Inicialmente, o calendário eleitoral do partido colocava as eleições em Janeiro passado, mas, por “larga maioria”, a comissão regional decidiu, já este mês, adiar as decisões sobre a futura liderança para o final de Maio.

A justificação foi a de “uniformizar” a agenda eleitoral regional com a da estrutura nacional. Na prática, veio viabilizar a candidatura de Cafôfo que precisava (e precisa) de ter pelo menos seis meses de militância para poder concorrer à presidência do partido.

O homem que foi o rosto do PS nas eleições regionais de Setembro (o primeiro acto), tem vindo a coleccionar apoios internos. Alguns, até, bem improváveis, se recuarmos um par de anos e formos ler o que foi sendo dito e escrito pelos agora apoiantes. Carlos Pereira, deputado, a cumprir o segundo mandato na Assembleia da República, foi dos mais críticos. Há dois anos, enfrentou a dupla Paulo Cafôfo-Emanuel Câmara numas internas pouco amistosas.

Câmara, que viria a ganhar o partido, apresentou Cafôfo como trunfo. Se ganhasse, prometeu (e cumpriu), o então autarca do Funchal, ainda independente, seria o candidato do PS à presidência do governo regional. Pereira, que liderava o partido, foi apanhado em contrapé. Protestou contra o que considerou ser uma “anormalidade democrática”, um “absurdo político” de uma “candidatura bicéfala”. Perdeu. Mais tarde, depois do desaire das europeias, em que o PS-Madeira ficou bastante aquém, foi chamado para encabeçar a lista para São Bento. Foi aí, mesmo que timidamente, que começou a aproximação entre os dois. No sentido inverso, Emanuel Câmara, o actual líder, não tem disfarçado o incómodo por esta disponibilidade de Cafôfo, a quem abriu as portas do partido. Sai de cena, em silêncio.

Mas Cafôfo não corre sozinho. A sensibilidade interna que Carlos Pereira incorporava parece estar agora nas mãos de Carlos Jardim. Professor, antigo administrador da empresa municipal Frente Mar Funchal, nomeado por Cafôfo em 2013 e apoiante de Pereira nas últimas eleições, dá a conhecer as linhas mestras da candidatura que encabeça na próxima segunda-feira. É preciso, diz ao PÚBLICO, ouvir o partido, os militantes. “Aproveitar este período não eleitoral para reorganizar o partido”, defende, considerando que o adiamento do congresso é uma “clara violação dos estatutos” do PS-Madeira. Jardim conta, para já, com o apoio de Mota Torres, um antigo líder do partido na Madeira.

Esta candidatura não preocupa Cafôfo. “Todos os militantes têm legitimidade de apresentar as suas ideias e propostas. Quero um partido unido, mas coesão é diferente de unanimismo”, ressalva ao PÚBLICO, dizendo ser “natural” a filiação no PS. “Eu diria que já tinha uma militância, faltava só o compromisso de assinar os papéis e filiar-me.”

Cafôfo, considera ser repositório da “maioria social” que apoia o PS e que, diz, contribuiu para retirar a maioria absoluta ao PSD nas últimas regionais. “Ainda não conseguimos transformar essa maioria social em maioria política. Tem de ser esse o nosso objectivo.”

O candidato, que, dependendo do ângulo, tanto pode ser visto como o homem que conseguiu a melhor votação de sempre do PS no arquipélago como aquele que, num clima político mais favorável, falhou em roubar o poder ao PSD (que se manteve no governo, agora em coligação com o CDS), quer manter viva a esperança dos socialistas. “Este projecto não pode recuar. Sinto que tenho uma responsabilidade enorme”, afirma, dizendo querer um partido aberto, inovador e progressista.

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