expresso.ptexpresso.pt - 15 fev 00:01

Artista russo que publicou vídeo sexual de candidato de Macron à Câmara de Paris promete expor mais políticos

Artista russo que publicou vídeo sexual de candidato de Macron à Câmara de Paris promete expor mais políticos

Pavlenski reivindica ato contra a “hipocrisia” de Griveaux e do Presidente francês. Site que publicou vídeo já está inacessível

“A minha família não merece. Ninguém deve ser sujeito a tal abuso.” Esta foi uma das frases fortes da declaração em que Benjamin Griveaux, do partido Em Marcha! do Presidente Emmanuel Macron, abdicou da candidatura à Câmara de Paris. Aconteceu na manhã desta sexta-feira, horas depois de ter começado a circular um vídeo de cariz sexual em que o ex-porta-voz do Governo, muito próximo de Macron, seria protagonista.

As sondagens já não eram favoráveis para Griveaux, que concorria contra a presidente em exercício, a socialista Anne Hidalgo, e representam um rude golpe na estratégia do Presidente francês. Porém, a procissão parece ainda estar no adro: o caso abalou a política francesa, com a divulgação do vídeo a merecer uma condenação de todos os quadrantes políticos, mas as atenções voltam-se agora para o responsável pela publicação das imagens.

Benjamin Griveaux, ex-candidato à Câmara de Paris do Em Marcha!

Benjamin Griveaux, ex-candidato à Câmara de Paris do Em Marcha!

BENOIT TESSIER

Piotr Pavlenski, um artista russo que se apresenta como ativista contra o Governo do seu país mas também contra o executivo de Macron, assumiu ao “Libération” a responsabilidade pelo site onde alojou o vídeo, que entretanto já está inacessível. Mais: em entrevista ao canal francês BFMTV, diz que Griveaux será a apenas o primeiro político a ver conteúdos sexuais divulgados.

"Benjamin Griveaux é um candidato que mente para os seus eleitores e que faz propaganda puritana. É o único candidato que começou a sua carreira política com grandes mentiras e uma grande hipocrisia em relação a todos os eleitores", afirmou Pavlenski.

O artista – que entre outras ações já coseu os lábios em solidariedade com a banda contestatária russa Pussy Riot e pregou os próprios testículos na Praça Vermelha – é representado pelo advogado Juan Branco, consultor jurídico de Julian Assange e da WikiLeaks, que já veio defender o cliente.

"Ele decidiu denunciar, por todos os meios possíveis, o domínio que Macron tem sobre o poder político. Foi um gesto político de ruptura, ele está na oposição. Ele tem um compromisso e diz que é apenas o primeiro passo", explicou.

Em outubro de 2017, em Paris, Pavlenski incendiou uma fachada do Banco de França, em Paris, por considerar que a instituição tinha “tomado o lugar da Bastilha” e os “banqueiros o lugar dos monarcas”. Curiosamente, a ação decorreu apenas cinco meses depois de ter conseguido asilo político no país.

Griveaux já garantiu que vai apresentar queixa às autoridades pela divulgação do vídeo. De acordo com o Código Penal francês, a divulgação de imagens ou palavras com caráter sexual sem consentimento pode ser punida com dois anos de prisão e uma multa de 60.000 euros. O ex-candidato à Câmara de França pretende ainda acusar o russo de violação da sua vida privada.

1
1