expresso.ptexpresso.pt - 14 fev 13:56

Tem algo à venda e pedem-lhe para pagar por MB Way? Sabe o que é o MB Way? Se não, não aceite

Tem algo à venda e pedem-lhe para pagar por MB Way? Sabe o que é o MB Way? Se não, não aceite

Os avisos têm sido repetidos. Da PSP, do Portal da Queixa, da SIBS. É preciso ter cuidado com os dados que são colocados para aderir ao MB Way. Na semana em que se soube que o número de burlas com este serviço disparou, a SIBS, a sua gestora, volta a insistir em cautelas especiais. Mas avisa que já tem formas de detetar casos com potencial de fraude

Pôs um artigo de sua casa, imaginemos um candeeiro, à venda. Ligaram-lhe porque querem comprá-lo. Dizem-lhe que, para fazerem o pagamento, é melhor utilizar o MB Way, no Multibanco. Nunca ouviu falar desse serviço, é isso que responde. Mas a pessoa insiste, adiantando que lhe dá as instruções. Aceita, segue para um Multibanco e faz o que lhe dizem: dão-lhe um código de nove dígitos e depois um outro de seis, e insere-os. Acabou de cometer um erro. Tornou-se vítima de uma burla. Não é a única. Mas há formas de travar.

Este é o cenário central do que tem acontecido nas burlas via MB Way, que têm sido reportadas e que têm crescido. Ainda esta semana o Portal da Queixa revelou que as reclamações recebidas em janeiro de 2020, num total de 86 queixas, se aproximam das 102 registadas em todo o ano de 2019. Uma semana antes, tinha sido a PSP a fazer recomendações aos cidadãos para não fazer pagamentos por MB Way se não conhecesse o serviço, com um número de queixas superior. O MB Way faz pagamentos e transferências entre números de telemóvel associados a aplicações nos telemóveis.

Maria Antónia Saldanha, diretora de comunicação e marca da SIBS (a gestora da rede Multibanco e do MB Way), também alinha na mesma ideia de luta contra o desconhecimento.

O que os burlões fazem é “identificar uma pessoa que está a vender um produto, mas desconhece como funciona o MB Way”. “O primeiro fator que faz parte deste tipo de burla é encontrar uma vítima ingénua”, frisa. Ingénua porque não conhece como funciona o serviço. Como não sabe como se faz a adesão, é orientado a introduzir um código. Só que o código é, na verdade, um número de telemóvel, que não o do próprio. É, provavelmente, um número de um cartão pré-pago. E que, ao ser introduzido, juntamente com o outro código de seis meses – que na verdade é um PIN –, dá acesso da sua conta bancária a um terceiro.

Como é a adesão?

Para não cometer esse erro, é preciso saber qual o caminho a percorrer na adesão ao MB Way através de uma caixa Multibanco. Há regras específicas. O primeiro passo é selecionar a opção MB Way. Aí, terá de inserir o seu número de telemóvel e, depois, definir um PIN com seis dígitos. Mas é sempre o seu número de telemóvel. E um PIN escolhido pelo dono do telemóvel. Aliás, a SIBS deixa esse aviso no seu site: “Atenção! Deve sempre assegurar que insere o seu próprio número de telemóvel e o PIN MB Way deve ser definido por si, sendo este pessoal e intransmissível”.

Depois disso, terá de fazer o download da aplicação do MB Way, onde vai inserir o seu número de telemóvel e o tal PIN definido. Receberá uma mensagem escrita com um código de ativação depois. Assim, terá a certeza de que a adesão está bem feita.

Maria Antónia Saldanha refere que “o maior esforço tem sido o de aumentar a informação como o serviço se usa e como se faz a adesão”. Se não quiser aderir, não o faça, mesmo que o potencial comprador do artigo insista.

Procedimentos de prevenção

A SIBS não tem dados agregados sobre os montantes em que já houve burlados, mas tem indicações de que há casos com valores consideráveis - ainda há semanas foram identificadas duas situações em Ovar. A centralização de queixas na gestora do serviço não existe, porque, quando as pessoas se apercebem da burla, fazem-no à política ou ao respetivo banco.

Segundo a diretora de comunicação e marca da SIBS, já houve detenção de grupos envolvidos nestas burlas, mas ficam apenas com termo de identidade e residência, o que não os impede de continuar com a atividade criminosa.

De qualquer forma, a SIBS indica que tem, já, mecanismos de prevenção. “Já conseguimos implementar um conjunto de procedimentos que nos permitem monitorizar comportamentos que identificam o potencial de burla”, revela Maria Antónia Saldanha, não querendo identificar o que está em causa, para não facilitar a vida a quem tenta burlar.

O que é certo é que, para que uma prevenção efetiva destes casos funcione, é importante que os cidadãos tenham informação atualizada junto dos respetivos bancos. Desde logo, o número de telemóvel.

Sendo assim, quando estiver a vender artigos e lhe pedirem para pagar por MB Way, e se não souber como funciona, a melhor ideia é não fazê-lo. Se insistirem e quiserem dar “códigos”, interrompa a chamada e denuncie o número de telemóvel à polícia, alerta a diretora da SIBS.

Até porque, nestes casos, não é certo que consiga receber o dinheiro perdido. Ao contrário de cartões clonados, por exemplo (em que a falha não é imputável ao próprio), nestas situações houve uma introdução de dados pelo detentor da conta. A devolução “depende da política do banco e dos seguros de cada um”, sublinha.

Os avisos da SIBS em resumo:

A SIBS tem deixado um conjunto de recomendações relativamente a estes casos, para evitar ser vítima de burlas.

  • "Nunca deve adicionar, ou permitir que adicionem à sua conta ou cartão bancário, um número de telemóvel que não possui ou desconhece, quer seja através do Multibanco, quer seja através do homebanking.

  • Nunca deve seguir orientações de terceiros ou desconhecidos para fazer uma transação financeira, seja qual for, nomeadamente uma adesão ao serviço MB Way. Da mesma forma, nunca deve fornecer dados ou códigos da sua conta a um desconhecido.
  • Os bancos não solicitam, telefonicamente ou por mail, que adicione à sua conta bancária um número de telemóvel que não é seu ou não conhece. Caso seja contactado neste sentido e desconfie da legitimidade do contacto, deverá de imediato entrar em contacto com o seu banco.

  • Da mesma forma, nenhuma entidade legítima, como operadoras de comunicação ou de outros serviços, lhe poderá solicitar, telefonicamente ou por mail, que adicione à sua conta bancária um número de telemóvel que não é seu ou não conhece. Caso seja contactado neste sentido e desconfie da legitimidade do contacto, deverá de imediato entrar em contacto com o seu banco.

  • Nunca forneça dados confidenciais ou pessoais como resposta a mensagens de correio eletrónico ou via sms, mesmo que a origem da solicitação aparente ser legítima.

  • Não siga ligações que recebeu em mensagens de correio eletrónico ou via sms.

  • Verifique os extratos das suas contas bancárias regularmente.

  • A SIBS recomenda que contacte o seu banco para adicionar o(s) seu(s) número(s) de telemóvel para que possam ter a sua ficha de cliente totalmente preenchida".

1
1