expresso.ptexpresso.pt - 14 fev 13:12

Edgar Pêra: “Duvido que a Netflix seja o modelo do futuro”

Edgar Pêra: “Duvido que a Netflix seja o modelo do futuro”

Chamam-lhe o guerrilheiro do cinema português, pela estética vanguardista e experimentalista que tem arriscado na mistura de formatos e estéticas. Do Super 8, à película tradicional, do digital ao 3D, Edgar Pêra já realizou dezenas de filmes, todos com uma boa dose de obscura ironia, como “A Janela (Maryalva Mix)”, “O Barão” ou “Cinesapiens”. Afirma que não filma para as pipocas ou pela espuma dos dias, mas para que as suas histórias cheguem à geração seguinte. “Ambiciono ser um realizador bomba-relógio ou um ‘sniper’ para atingir o futuro com os meus filmes.” Prestes a iniciar a rodagem do seu filme mais ambicioso de sempre, "The Nothingness Club", propõe-se a entrar na cabeça de Fernando Pessoa onde moram todos os seus heterónimos e... até um 'serial killer'. Nesta conversa em podcast, o realizador a quem encontram semelhanças com George Clooney, não descarta o sonho do Óscar para melhor filme e comenta alguns dos premiados de 2020

Edgar Pêra fala do entusiasmo e rejuvenescimento que a produção do seu novo filme lhe está a trazer. Isto porque - aparte da sua ‘pinta’ natural e da idade lhe estar a vestir bem, o que levou a que o nosso fotógrafo António Pedro Ferreira achasse que ele era uma mistura entre Clooney e Scorsese - o projeto “The Nothingness Club - Não sou nada” está a ser como sangue novo a correr nas suas veias criativas. As filmagens arrancam em Março, a estreia está marcada para 2021 e, segundo Pêra, será a sua produção mais ambiciosa e uma das mais ousadas: propõe-se entrar na cabeça de Fernando Pessoa, colocar os seus heterónimos a coexistir e incluir um ‘serial-killer’.

Pelas suas palavras: “O título foi uma sugestão da Luísa Costa Gomes, que colaborou no início do projeto. O filme passa-se em dois universos. Um é o quarto de Pessoa e a Lisboa dele, os amigos, e toda a realidade do Orpheu. E depois há o mundo imaginário que o Pessoa concebe na sua própria cabeça. Em que ele é um Super Pessoa e, em vez de ter uma Ophélia, tem uma Super Ophélia. Este filme é a materialização de todos os heterónimos de Pessoa que são escravizados pelo Super Pessoa num cenário que é uma fábrica com escritórios dos anos 30”. Estaremos perante também um super orçamento? “Não é um orçamento de luxo, mas para mim é uma super-produção de luxo, porque consegui meios financeiros que nunca tive, o que me permitiu um ano de preparação para o filme, com ensaios, preparação do cenário, testes. Fernando Pessoa será interpretado por Miguel Borges e Ophélia por Victória Guerra. Álvaro de Campos será o Albano Jerónimo. Entre tantos outros.”

E o que tanto o inspira em Pessoa, e que o leva a regressar a ele tantas vezes? “É um autor que me persegue desde a adolescência. Primeiro através do Álvaro de Campos e depois do Bernardo Soares, e do seu “Livro do Desassossego”, que a partir dos 20 anos passou a ser o meu heterónimo preferido. Nem é bem heterónimo, mas uma versão cansada e amputada dele próprio. Pessoa tem sido para mim uma constante fonte de inspiração e [o filme] é uma forma de retribuir tanta inspiração que já tive só a partir de toda a obra multiforme que ele tem. Arrancarei as filmagens em Março e o filme será estreado para o ano. Mas já estou a pensar no próximo, onde procurarei dar uma resposta para a questão: quando começarem a surgir ditaduras, qual o papel da violência revolucionária?”

Nesta conversa, falamos dos Óscares e de alguns dos premiados, da Netflix, do futuro e do facto de Edgar ambicionar ser um “realizador bomba-relógio”.E, claro, ainda nos dá música e... melodrama.

Tudo isto para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas.”

Mais uma vez a edição áudio é do Rúben Tiago Pereira. E o genérico desta temporada é uma criação original do músico Luís Severo.

Mantemos o desafio a todos os ouvintes para que enviem as suas opiniões, sugestões, histórias e comentários para o seguinte email: abelezadaspequenascoisas@impresa.pt

Para a semana não haverá episódio. Voltamos daqui a duas semanas. Até lá, pratiquem a empatia e boas conversas!

Assinar no iTunes: http://apple.co/2mCAbq2

Assinar no Soundcloud: http://bit.ly/2nMRpRL

Estamos também no Spotify. Se usar Android, basta pesquisar A Beleza das Pequenas Coisas na sua aplicação.

1
1